P71 – Milesios: ir e vir entre tradições

 

Num programa como o Grandes Vozes, em que gostamos de viajar através das ondas e da música a outras tradições, não podíamos esquecer a nossa conexão atlântica com a velha Irlanda. Neste programa esteve connosco Maite Veiga, dos Milesios, um grupo de música folk que reinterpreta a música tradicional de ambos os países. O grupo acaba de finalizar a turnê de apresentação do seu segundo disco, Indoevindo, um CD preparado com detalhe e  carinho que está a obter excelentes resultados.
 

Maite Veiga, muito boa tarde!

Boa tarde!

 

É um grande prazer poder falar contigo.

O mesmo  digo! Como está tudo por aí?

 

Pois muito bem, a verdade. Antes de começar, quero dar-te os parabéns por este novo disco.

Muito obrigada.

 

Milesios nasceu em 2009 e está formado por um grupo de amigos que gosta das músicas tradicionais galega e irlandesa. Nesse período de quase 10 anos já atuaram em lugares muito diversos: o “Festival celta mais pequeno do mundo”, na Noite Celta de Porcia, no Festival de Pardinhas e no Projeto Runas do Festival de Ortigueira. Em 2013 gravaram o disco Alén Mar e agora apresentam-nos Indoevindo, com a novidade da incorporação de música cantada

Maite, conta-nos, desde quando estás vinculada aos Milesios?

Como cantora e baixista, levo por volta de dois anos no grupo. Estive vinculada já antes porque, se repararem nos nomes dos integrantes, há vários Veigas. Sou parte da família e, como fã, já estava aí desde o início.

 

Antes de comentarmos o disco, queremos que nos fales da atualidade do grupo. Quem são as pessoas que vos acompanham e qual é a função de cada uma.

Pois hoje o grupo está formado por sete pessoas. Somos duas cantoras, Marta Portela e eu mesma; a Marta também faz algumas percussões, com pandeireta, pandeiro, pandeira e outros instrumentos, e eu toco o baixo. Além disso, estão Paula Veiga, que toca o violino e o bandolim; Senén Montero, que toca acordeão, bateria e outras percussões; Manuel María Veiga, que é o compositor principal do grupo e que toca a maior parte das cordas, entre outros instrumentos; Noelia, a nossa gaiteira, que também toca o bombo em peças como o Valse de Ribarteme, e Manolo o Moucheiro, que é o guitarrista e toca também o bodhrán e algumas coisas mais. Atualmente está a colaborar connosco Elaine Brown, que é uma harpista de Birmingham que nos está a acompanhar em algumas atuações.

 

Que significa para o grupo o trabalho de Daniel Díaz Trigo?

Daniel Díaz Trigo foi o artista que desenhou os dois discos que publicamos até o momento. Temos uma relação muito especial com ele, percebe muito bem o que queremos expressar com a nossa música e consegue representá-lo através da fotografia e de outros recursos. Neste disco, Indoevindo, há uma faixa da sua autoria, a nº12.

 

Fala-nos da gravação do videoclipe. Quem a fixo?

A gravação é obra de Sito Torres baseando-se também no trabalho de Daniel Díaz.  O disco é, na realidade, um livro-disco realizado com fotografias e Sito o que fez foi reparar muito nessa estética para tentar reproduzi-la. Conseguiu replicar muito bem este efeito de Indoevindo que já recolhia a fotografia de Daniel.

 

Onde foi gravado?

Em várias localizações, todas da província de Lugo, na zona à volta do concelho de Outeiro de Rei.

 

Como foi trabalhar como actriz?

Bom… [Risos] Não tinha muita experiência, mas estávamos bem dirigidos. A verdade é que íamos nervosos porque não tínhamos experiência em gravar videoclips. Os membros mais antigos gravaram outro para o disco anterior, mas os integrantes mais recentes não o tínhamos feito nunca e estávamos mais inquietos. Penso que obtivemos um bom resultado.

 

Dizeis que o disco Indoevindo é um concerto itinerante.

Realmente apresentamos o disco a 24 de fevereiro de 2017. Acabamos de finalizar agora mesmo a gira de apresentação em Ourense, no dia 24 de fevereiro de 2018. Iniciámos conversas com vários festivais, tanto da Galiza como de Portugal, e estamos pendentes para começar as contratações da turné de Verão. De momento não temos prevista nenhuma data concreta.

 

Esse disco quantas canções contém?

São doce faixas, ainda que uma delas não é exactamente uma canção. Quatro delas são cantadas. Dado que foi concebido como um concerto, tem duas bônus track que pretendem ser como as canções extra do final das atuações, portanto são 14.

 

Já que adiantaste que há quatro peças cantadas, o que há no interior dessas peças?

Um pouquinho de tudo, mas principalmente tradição musical galega. Três delas são adaptações de peças tradicionais, a nossa interpretação delas. A quarta é um poema do poeta chairego Manuel María. Decidimos pôr-lhe a nossa música como tributo porque o ano da gravação foi o ano em que lhe foi dedicado o Dia das Letras Galegas. Há muita tradição, já seja poética ou musical.

 

Como são os concertos dos Milesios?

São também um pouco itinerantes. Nós juntamos peças da tradição irlandesa com peças da tradição galega, portanto é um ir e vir. Temos uma parte do repertório adaptado da tradição e também peças próprias, compostas principalmente por Manuel María Veiga, o nosso compositor, e arranjadas pelo grupo. Temos um pouco de festa ao irlandês, um pouco de festa à galega e também peças mais tranquilas; não pode ser tudo bailar, há um pouco de baile e um pouco de escuta.

 

Antes de finalizar a entrevista, ainda temos outra pergunta. A todas as pessoas que passam pelo nosso programa pedimos meia dúzia de sugestões musicais do nosso mundo: de Portugal, do Brasil, da Galiza, de Angola… Que nos recomendas?

Gosto muito das vozes femininas mais fortes ou características. Por outra parte, também gosto de muitos estilos diferentes, não só os tradicionais ou folk. De Portugal; a voz de Sónia Tavares de The Gift, que me parece impressionante, ou Mísia, já num tom mais tradicional. Do Brasil; Marisa Monte ou Pitty, que é mais rock. Evidentemente, não posso esquecer-me dos clássicos: adoro Cesária Évora. Essas são as minhas vozes preferidas da Lusofonia, ainda que é provável que esqueça alguma.

Da Galiza, gosto muito de Sés e, por dizer alguma masculina (não podem ser todas femininas!), Davide Salvado.

 

Muito obrigado por estes minutinhos de conversa connosco.

Obrigados nós por chamar-nos.

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