BRAIS MORÁN AO VIVO EM LISBOA

Artista galego lança o seu novo disco "No mato do desespero" no evento "A Praça Convida"

“A praça convida” é o título do festival que reúne em diferentes espaços públicos de Lisboa artistas dos países de língua galego-portuguesa. A imagem corresponde ao cartaz anunciador do concerto do galego Brais Morán.

Brais Morán Mato, corunhês nascido em 1983. Especialista em História da Arte e em Museologia e Crítica Contemporánea. Chega a Lisboa na sua qualidade de guitarrista e vocalista de pop para fazer lançamento do seu segundo disco No mao do desespero (2018). O lugar de encontro será a praça de São Paulo e a cita está agendada para as 21:00 horas do sábado, dia 25 de agosto. A iniciativa é uma feliz parceria do CentroInterCulturaCidade, da Junta de Freguesia da Misericórdia, da Confederação de Jovens Agricultores, do Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova e do Café Estúdio KLG.t

Grandes Vozes do Nosso Mundo, que colaborou decididamente na divulgação e na retransmissão do ambiente, oferece agora a toda a audiência as letras do disco protagonista da jornada.

 No Mato do Desespero



QUANDO IMOS PARA ESSE LUGAR

Canto pra os nenos da Costa da Morte (x2)

e às mulheres que vêm do mar.

Canto pra as nenas da Costa da Morte (x2)

e aos homens que amassan o pão.

Canto pra quem lhe acompanha a sorte,

canto tambén pra os que não têm sorte

e que ainda lhes pode chegar.

Canto pra as nenas que  berran bem forte,

canto pra os nenos que bebem da fonte

onde a música lhes faz medrar.

Canto pra a gente que não faz reproches [censuras] (x2)

e que vive sem medo a lutar.

Canto na Terra sem ver o horizonte,

canto co’a força do sangue do norte

quando imos para esse lugar.

NO MATO DO DESESPERO

Hoje encontro-me no mato do desespero

pois acredito nisso que dizem:

ainda que sempre se chega nunca mais se alcança.

E é por isso que sempre penso nessa visão do futuro

E alguém disse que temos força

pra cantar-lhe a tanta esperança.

Eu penso que ainda há mais

que uma simples selvagem companha

e nunca desespero, irmão.

Estamos juntos numa Terra Imaginária…

E sem fronteiras, meu irmão,

chegaremos juntos a onde quiseres que nos vejam.

E só faz falta um pouco de paciência

numa longa aventura

que embora não o pareça sempre medra.

Hoje encontro-me no mato do desespero…

Hoje caminho pelo mato do desespero

E espero cantando…

SANGUE DO NORTE

Só eu sei onde morre o sol

a cem metros de aquí.

Já crucei este eclipse só

na mesma estação.

E não vou pensar

noutra explicacão.

Já cansei de ouvir que pra ser melhor

tenho de ir para o sul.

Se a calor de ali não me ilumina assim…

Já estourei o meu coração

Para sobreviver.

Vivo aqui e todo é magia,

levo o sangue do norte.

Trabalho aqui / sigo aqui.

E sinto esperança,

sou um guerreiro do norte.

E alguns dizem:

A onde irás…?

TERRA QUE SONHARÁS

Alma de navegante

Passe o que passe olha pra diante

Quando começas a tua história

Traz o que sai da tua memória

Águas vêm do norte

Vão na procura da nossa sorte

Giram mudando o rumo

Fazem que apareça um novo mundo.

Terra que sonharás…

Chega essa luz que esconde o temporal

Traz novos sonhos que empurran muito mais alá

Saem de um tesouro, vivem comigo em paz

Trazem-me recordos que habitam em cousas reais.

Conto aventuras que mudam a lei.

Alma de viajante

Tem um destino ilusionante

Faz que o vento e as ondas

Sejam a guia da sua eufória.

Alma extravagante

perto do Paraíso distante

Sou pirata que canta

pelo caminho da liberdade.

Terra que sonharás…

Conto aventuras que mudam a lei

VALARÉS

Só es solitário quando queres um pouco de inspiracão

Sentes-te um estranho mas só precisas ter respiração

Soa uma guitarra e só queres este mar pra conversar

Hoje cantam grilos mas não é uma noite de verão.

Dedica-me um minuto como aquele

Desses que já não se podem ter

Toda a infãncia que não se perdeu

Qando era um neno em Valarés

E sonhei toda a noite co’a maré

Quando só se escutava o atardecer

E joguei com a areia entre a pele

E lembrei que ali me sinto bem

 AS CORES DO MATO

Que me leve o Demo se não canto mais.

Que me leve Deus se há luz mais alá.

Que marche a sombra com o vento deste temporal.

As cores do mato já falam de como avançar.

Levo anos por aqui perguntando-me se ao fim poderei sobreviver.

Ninguém entende que o meu “Ser” não escolhe como ser.

Só funciona porque “é”.

O importante é respirar cada dia um pouco mais apesar do temporal.

A energia do que fazes é a procura de encontrar

o caminho pra chegar.

Ieee…Sempre chego ao final co’a esperança na mão

Ieee…Sempre podo encontrar a paz noutro lugar.

Levo tempo em desespero,

e que vém e que vai co’a ilusão de voar.

E desperto num concerto e a gente que está não para de dançar.

Quando o vento chega aqui sei que o ar está para ir

A outro mundo mais feliz.

Há caminho pra rodar e ondas querem navegar

pola minha Beiramar.

A ESPERANÇA DO DESESPERO

Há caminhos no mundo que não nos separan

São os que unem as forças e nos acompanham

Há momentos onde aparece a magia

E a luz volta a ti…

Há momentos em que perdemos a calma

Eram desejos rotos de mentes perdidas

Eram intentos vacios que não funcionavam

Eram caminhos de sombras que medo nos davam

Era um impulso frustrado que nos esgotava

Não havia mais…

Havia mais mas eu só tinha que inventá-lo!

Era a melhor arma do passado!

E haverá mais soluções para o futuro

Se o que foi, agora é mais maduro!

Tempo passou para encontrar a esperança

E hoje sigo provando de muitas maneiras

É uma longa viagem que pede paciência

É uma luta contínua que faz que aprendas

Não há caminho de rosas se esqueces que medram

Sempre há vida em qualquer lugar.

Há caminhos que avançam c’o tempo parado

Pasan por desertos roxos e abandonados

São o futuro da gente que estava chorando

São os que trazem os amores que duram mais anos

São os que nunca buscavas e voam mais alto

E hoje unimos as forças sem medo ao que venha.

Sigo buscando a esperança do desespero…

A praça convida ao encontro

Festival intercultural celebrado em Lisboa protagonista do programa 93 do Grandes Vozes

O Grandes Vozes foi gravado numa praça de Lisboa. O professor universitário Gabriel André entrevistou o cantor baiano Edson Raposo.

O Grandes Vozes é paradigma do diálogo intercultural. Desta vez, no programa número 93, com o coordenador Marco Pereira de férias em Trás-os-Montes, desde Burela tomaram os mandos da nave um galego (Matías Nicieza) e um jovem caboverdiano (Edilson S. Tavares). O destino da Ponte Musical era o Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, onde se celebra o evento “A Praça Convida. Cultura e Cidadania em espaços públicos“, uma excelente iniciativa da Junta da Freguesia da Misericórdia, o Centro InterCulturaCidade, a Confederação de Jovens Agricultores e o Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa.
Na capital portuguesa estavam outros protagonistas do programa da Rádio Burela: o professor galego Gabriel André (do Centro de Estudos Galegos) e o artista baiano Edson Raposo. Os primeiros temas da conversa: a chegada do artista brasileiro a Portugal (em 2001) e a sua participação nos Dragões do Samba e nos Kussondulola, banda muito conhecida na Galiza pela sua presença no Xabarin Club (programa infantil com muitíssima audiência emitido na TVG).
Ainda com a estridência da cidade ao fundo, o entrevistador pediu ao artista convidado uma primeira música ao vivo e o Edson Raposo cantou a história da Teresa, uma mulher africana emigrada em Lisboa.
A seguir, chegou o tempo das novidades e através da entrevista soubemos que o baiano prepara um novo disco, que o disco terá dez canções de estilos diferentes, mas sempre com presença de ritmos baianos em simbiose com outros procedentes da África.
Como sempre, de grande ajuda o capítulo dedicado às sugestões musicais, uma delas o angolano Yuri da Cunha.

Grandes Vozes descobre o pop-rock moçambicano do Gonzo

O artista vai lançar "O resto das canções", produzido pelo brasileiro Max Viana

 

Gonzo (Beira – Moçambique, 1979) é filho do músico Abibo Abdula, mas nem na infância nem na adolescência se interessou por esta arte. Porém, com vinte anos, com um grupo de amigos formou a Innocent, uma banda de rock, e com ela concorreu a um concurso musical organizado por uma emissora de rádio da cidade da Beira. Conseguiu ganhar o prémio para a melhor voz.
A banda continuou alguns tempos, mas a maior parte dos integrantes acabaram por desistir. Não foi o caso do Gonzo, que resistiu: “Fui correndo atrás de produtores. Sempre que houvesse oportunidade, eu apresentava as minhas composições e fui destacando até que um dia um destacado produtor moçambicano cruzou-se comigo e interessou-se. Abriu-se a primeira porta”.
Em 2001 fez a sua primeira gravação a solo com a colaboração do produtor Dinho XS. “O pop-rock que se ouvia em Moçambique chegava sempre de fora e o meu trabalho atingiu esse patamar. Foi um sucesso de primeira linha”, mais ainda quando se deu a conhecer o Pra onde vais (volta) com B-Clan-Gang.
Após uma etapa centrada nos estudos de Direito na Universidade Jean Piaget, em 2008 lançou a gravação simples intitulada Anónimos, cujo sucesso no mercado foi um enorme estímulo para a posterior preparação do CD Amores e poemas (2010), com edição independente na África do Sul.
Agora Gonzo está contente: o seu pop-rock moçambicano carregado de baladas románticas conseguiu entrar e -o mais importante- assentar-se num panorama musical centrado no Kizomba. Agora Gonzo lança mais videoclipes (como o intitulado “Solidão“) e trabalha em colaboração com o produtor brasileiro Max Viana no disco O resto das canções: “Se tudo correr bem, para dia 12 de outubro farei uma apresentação intitulada Violão na minha sala. A ideia é trazer ao público um formato mais intimista. Primeiro em Maputo. Outro na Beira. E depois em Quelimane e em Pemba. Será em outubro, novembro e dezembro”.
Antes de finalizar a entrevista, ainda houve um tempo para as sugestões musicais que o Gonzo nos deixa: em primeira linha, Djavan e Milton Nascimento, no Brasil; em Portugal Luís Represas e Paulo Gonzo; em Moçambique Stewart Sukuma. Em Angola Gabriel Tchiema e Filipe Mukenga. Em Cabo Verde Sara Tavares. Em São Tomé os irmãos Calema. Na Guiné os Tabanka Djaz
Assim é o Gonzo e assim são os programas dedicados às Grandes Vozes do Nosso Mundo. Ponte musical entre a Galiza e Moçambique… e Angola.. e o Brasil… e todas as comunidades lusófonas na diáspora.
A navegar!

Depois do lancamento do CD (2010), Gonzo conseguiu duas nomeações para o MMA (Mozamique Music Awards) onde ganhou dois trofeus: Melhor POP ROCK 2011, com o Album Amores e Poemas; e Vídeo Mais Popular, com Anónimos.

 

Gonzo com o empresario musical Puchinho Varela na gala dos Premios da Música de Moçambique. O artista leva na mão os trofeus ganhados.

PRA ONDE VAIS (volta)
(Letra e Musica: Gonzo
Arranjos e produção: Dinho Xs)

Desapareceste
E até parece que esqueceste
Que um dia por mim choraste
Telefone pra ti não existe
E ate parece que algum mal te fiz
Saíste sem dizer pra onde vais
Fingiste que por mim choravas
Sem pudor te amei
E continuo a amar
Será que um dia hei-de voltar a ver-te
Manha de quinta-feira
Espero por ti, chamo por ti ohh..hei…
Manha de quinta-feira choro por ti, chamo por ti ohh..hei..
Tu és a razão de ser
sem ti não sei viver
Noites perdidas,
Dias não sei, de que lado tu estas e pra onde vais
Tu és a razão de ser
sem ti não sei viver

 

André Prando, A Casa Verde e A Subtrópico

Mostramos o panorama musical de Vitória (Espírito Santo, Brasil)

A audiência do Grandes Vozes fez recomendação das músicas do André Prando com sugestão de entrevista e a equipe de produção, sem perder o tempo, enveredou primeiro para as músicas e só depois para outras pesquisas. Assim foi como chegamos ao convite para “abrir alas” e da mão do artista que “aprendeu a voar” fizemos a descoberta da “casa dos shows para nos roubar o coração” (a Casa Verde da Subtrópico).

A Subtrópico convida você para uma tarde de música sarrante na casa mais onírica do Centro de Vitória. Fazendo aquela salada clássica de R&B, soul e jazz, mais um pouquinho de boombap e trap, [oferecemos] um show regado a muito amor e swing“.

Quem pode ler algo tão lindo sem ficar profundamente namorado do lugar? Temos a certeza de que ninguém. Foi por isso que , com estes preâmbulos, Marco Pereira e Edilson Sanches começaram a conversa com André Prando com absoluta confiança e que a nossa audiência pôde visualizar através das ondas o Estado brasileiro do Espírito Santo, no Sudeste do país, e quase caminhar pelas ruas de Vitória, a capital.
Só depois falaram de discos, a começar pelo Estranho Sutil (2015), produzido por Rodolfo Simor; do prêmio de melhor videoclipe autoral no Festival de Clipes e Bandas (SP); e do seu novo trabalho -um disco com 12 faixas- com financiamento coletivo, do que conhecemos o single “Em chamas no chão“.