Marco Pereira


 
O meu nome é Marco Pereira Oliveira. Vivo na Ponte do Carro, em Xove. Ainda que nasci aqui na Marinha Mindoniense, tenho raízes portuguesas.
Queria partilhar com a audiência algumas referências sobre a minha vida e sobre as minhas experiências educativas.
Sufro uma deficiência visual que não me permite realizar as atividades acadêmicas como qualquer outro aluno ou aluna da escola. Por isso, nomeadamente na etapa infantil, muitas delas tiveram de ser adaptadas às minhas condições.
Numa primeira fase ensinaram-me o sistema braille de escrita. São seis pontos com que as pessoas cegas podemos ler todas as letras, todos os números e todos os símbolos matemáticos e musicais que possam imaginar. Assim que puder, colocarei neste sítio web vários exemplos para poderem compreender melhor como trabalho.
Aprendi a ler de forma divertida. Ajudou-me muito um boneco para crianças chamado Braillim e tambén foram úteis as réguas especializadas que nos foram fornecidas pela Organização Nacional dos Cegos Espanhóis.
No colégio CEIP Caselles Rollán continuei a melhorar a leitura e comecei a adquirir a escrita. Fui aprendendo com a ajuda da Leonor, de quem falarei na parte que dedicada às persoas que me ajudaram e que me ajudam a alcançar os objectivos.
Nesses seis anos aprendi muito. Com mais limitaçóes, é certo; mas fui aprendendo e adquirindo os conhecimentos necessários para ir avançando de ano en ano.
A entrada no ensino secundário implicou uma grande mudança. No colégio Illa de Sarón, os professores e professoras eram diferentes e a pessoa especializada em pedagogia terapéutica também. Demorei pouco tempo em desenvolver um profundo afeto pela Cristina, que ainda continua a me ajudar no Ciclo Superior de Administração e Finanças (a formação que estou a realizar na atualidade).
No nível de ensino secundário, con maior ou menor dificuldade, adquiri iguamente os conhecimentos precisos para poder ir progressando aos poucos. Em diversas disciplinas realizaram muitas adaptações para mim. Se nos livros eram apresentadas ilustrações, a Cristina adaptava-as da melhor maneira possível para eu poder assimilar as informações. Assim “visualizei” as mitocôndrias, por exemplo.
Finalizada a etapa do ensino secundário obrigatório, que durou 5 anos, comecei o facultativo no liceu IES Marqués de Sargadelos de San Cibrao. Fui aluno durante 4 anos, pois cada ano foi dividido en dois para facilitar o meu progresso.
Os conteúdos das disciplinas também foram adaptados, dentro do possível, para os poder assimilar melhor. Aqueles que não podia seguir, eram suprimidos.
Após esta etapa, chegaram os exames nacionais. Foi um desafio que não consegui ultrapassar. As provas foram efetuadas em Pontevedra, no colégio Santiago Apóstol. As pessoas que sufrimos alguma deficiência visual temos temos acesso a questionários adaptados nesse centro.

Agora estou inscrito num curso técnico, o Ciclo Superior de Administração e Finanças, no liceu IES Perdouro de Burela, onde me acolheram muito bem e onde me sinto muito contente pelo trato dispensado pelo pessoal administrativo, pelos docentes e pelos alunos e alunas.

As ajudas

CristinaForam muitas as pessoas que me ajudaram -e que ainda me ajudam- a fim de poder atingir os meus objetivos. Nesta secção de agradecimentos, não posso esquecer o conjunto de professores e professoras que me deram aulas, tanto no ensino primário como no secundário. São para estas pessoas, portanto, estas palavras sinceras.
Muito obrigado à Leonor, por esses 7 anos que esteve ao meu lado ajudando-me desde que comecei no pré-escolar até chegar ao sexto ano do ensino primário; por se revelar uma ótima amiga e conselheira e por ser uma das pessoas que me ajudaram a chegar aonde cheguei.
Muito obrigado à Cristina Ramudo, essa professora que sempre me ajudou; que está comigo desde que entrei no ensino secundário. Além de professora, também é uma grande amiga que me vê rir, mas que também me viu derramar alguma lágrima.
Quero mencionar especialmente a María Xosé Pardiñas, professora de Tecnologia e Diretora Pedagógica no liceu Marqués de Sargadelos. Graças a ela comecei a desenvolver-me no mundo da rádio. Coincidirmos novamente no liceu Perdouro é outro privilégio para mim.