Programa especial dedicado aos Cantos na Maré-2018

Uxía Senlle adianta os conteúdos do Festival da Lusofonia a celebrar na Galiza na segunda semana de outubro


“Estamos contentes com a acolhida da programação, que este ano é mais extensa do que foi nos anos anteriores. É um Cantos na Maré renovado. O embrião é o mesmo. Mas cresceu. Estamos felizes com esta nova proposta para públicos diversos, para gente mais nova também, pensando que a mensagem de irmandade com os territórios da Lusofonia tem de chegar”.

 

Maio Coopé: cantor, músico e compositor guineense

"Temos que dar volta à situação política, social e económica da Guiné, que não é nada favorável"

Fonte: https://www.facebook.com/maio.coope


Olá a todos! O meu nome é Costa Lago. Eu sou português de Braga. Actualmente moro no Reino Unido, em Londres, e a música que eu gostava de escutar é da Sétima Legião… porque eu não esqueci.
Um abraço.

Com estas palavras o nosso amigo Costa Lago participava no Grandes Vozes. Era uma maneira de transmitir saudações para a equipa do programa e ao mesmo tempo para a nossa audiência através da ponte intercontinental que mantemos viva entre todas e todos. A resposta foi imediata e a música da Sétima Legião começou com esta mensagem:

Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.

Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.

Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci…

Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.

Nessa altura foi o Grandes Vozes quem procurou o sinal dum novo artista para o apresentar à nossa audiência. “Em nome de um sonho” entramos um comunicação com Maio Coopé, que ainda não acreditava no prodígio: “Eu queria saber se estão a ouvir com melhor condição. Estão ao ouvir bem?”. Mas o Marco e o Edilson transmitiram a confiança necessária e o Maio Coopé terminou por acreditar: “Não tenho boa acessibilidade à rede, mas acho que vamos entender-nos uns aos outros”.
O cantor, músico e compositor guineense -que vive em Portugal- falou de artes plásticas, de dança e de cinema. Após uma referência às viagens à União Soviética, foi o momento de falar também dos grupos Djumbai Jazz e Gumbezarte em que participa.

Waldemar Bastos, voz da fraternidade

"Aos 18 anos a polícia secreta prendeu-me. Por que? Porque era um artista. Pensavam que assim travavam a minha criatividade e isso melhorou mais ainda a minha entrega à arte."

A filóloga galega Bárbara Nouche, colaboradora do Grandes Vozes, no bairro do Chiado lisboeta com Fernando Pessoa


Começa o programa com diálogo entre literatura e música. Um cantor da Corunha (César Morán) interpreta um poema dum escritor de Lugo (Cláudio R. Fer). É o “Ama-me anarquista”. Uns minutos depois é uma ouvinte da Catalunha a colaborar com o programa solicitando um tema de Luar na Lubre, porque ao ouvir essa música sente-se “como em diálogo com a Galiza”. Mas nesse diálogo participa também uma cantora portuguesa, Sara Vidal, que nos leva pelos caminhos do Fim da Terra ao ritmo do “Canto de Andar“. Assim é o Grandes Vozes, essa gigantesca ponte de comunicação intercontinental que em só uns minutos nos desloca a atenção para outro lugar bem diferente, como é o caso da conversa entre a Bárbara, o Gabriel e o Waldemar.
A Bárbara, galega de Boimorto (“aldeia maravilhosa do centro da Galiza”, diz), estudou o grau de língua e literatura galegas na USC e posteriormente o mestrado de docência na UDC. Agora complementa formação no Centro de Estudos Galegos da Universidade Nova de Lisboa, onde Gabriel André é professor. O seu contertúlio é Waldemar Bastos, cantor angolano que combina Afropop com Fado e ritmos brasileiros.
A entrevista é mais uma intervenção em favor da fraternidade. Como diz o Waldemar: “Pra quê tanta dor, pra quê tanto ódio?”. Não faz sentido. “Se somos irmãos, temos que dar as mãos”.

Elvis Afonso, a voz de Embu das Artes

O artista brasileiro, que participou em Lisboa no festival "A Praça Convida", protagonista do nosso programa nº 94

O programa 94 começa com “Estradas no céu” em dueto do Valas e a fadista Raquel Tavares. A seguir, outro ritmo e outro país: os Raiva, da Galiza, com “Fartos“. A primeira parte, de diálogo entre a Galiza e Portugal, tem ainda as intervenções do Diogo Piçarra e o Brais Morán, o primeiro a falar do Paraíso imaginário e o segundo a dizer que o verdadeiro Paraíso está na Costa da Morte. Todas estas Grandes Vozes seleccionadas por Marco Pereira e apresentadas por Edilson S. Tavares e Matías Nieza são um preâmbulo da parte central do programa: a conversa do galego Gabriel André e da cabo-verdiana Vera Rocha com o brasileiro Elvis Afonso.
Num programa como o Grandes Vozes a melhor das apresentações é a música. Foi por isso que nada mais a Vera dizer o seu nome, o Elvis apanhou a viola e começou a cantar. Depois, a conversa. “Estou em Lisboa há 26 dias. Sou de Embu das Artes“. De Embu das Artes? Nesse caso é preciso comentar mais coisas: “é mundialmente conhecida. Uma cidade caracterizada pelo artesanato. Com muita música ao vivo”.
A música acompanha na vida o Elvis Afonso desde há uns 25 anos. No início era a sua uma música de blues e depois virou para a música popular brasileira. Quando os locutores perguntaram pelas expectativas em Portugal, obtiveram resposta rápida:
-Na verdade, eu quero viver. Quero trabalhar com artes. Artes plásticas, fotografia… a música é um caminho a mais; é uma paixão.
Assim é este artista da área metropolitana de São Paulo, o protagonista do “Deixe Falar” do programa 94.
Na parte final do programa, o diálogo foi ainda mais alargado. Os microfones estavam nas ruas de Lisboa e aproveitamos para conhecer as preferências musicais da audiência. Foi então o momento dos Trovante, do Sérgio Godinho e de Madredeus.
Magnífica conversa. O modelo de relacionamento natural entre os nossos diferentes sotaques.

Muito obrigado, Lisboa!

O concerto do artista galego Brais Morán foi um grande sucesso


O festival “A Praça Convida” foi um autêntico sucesso e nós queremos transmitir os parabéns a toda a organização. Magnífico trabalho do professor Gabriel André, da sua colaboradora Vera Rocha e de todos os agentes sociais envolvidos na iniciativa, representantes do Centro InterculturaCidade, da Junta de Freguesia da Misericórdia e ainda de diversas casas comerciais que apoiaram os eventos. Obviamente, também estendemos os parabéns para todos os artistas que participaram no festival, em cuja representação estiveram no nosso programa Edson Raposo e Elvis Afonso.Na última sessão o protagonismo foi para o artista galego Brais Morán, que chegava a Lisboa para apresentar o seu novo disco:  No mato do desespero (uma homenagem galega ao José Craveirinha). Segundo podemos ver no facebook do próprio cantor, o ambiente foi magnífico. Estas são as palavras de agradecimento do Brais Morán:

Espetacular, Lisboa!!!
Obrigadão a toda a malta&galera que lá estava dançando o tempo tudo!
Adoro tocar e cantar para um público como vocês. Gente linda do mundo inteiro unida: Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, França, Israel, Índia..
São demais!
A ti, sobretudo, Gabriel André, por nos trazer e pela união das línguas abrindo fronteiras.

Ao Centro InterculturaCidade, ao Centro de Estudos Galegos-Universidade Nova de Lisboa e à  Junta de Freguesia da Misericórdia por nos receberem tão altamente!

Obrigado, Ricardo A Carvalho, pelo documento: #BMNoMatododesesperoemLisboa25deagosto2018.

Longa vida!!!

Na opinião de um grupo de pessoas galegas que estavam entre o público: “o concerto foi um éxito contundente. A música do Brais é aquilo que os jovens lisboetas querem. Em resumo: só não havia mais gente porque não havia mais praça”.