Grandes Vozes descobre o pop-rock moçambicano do Gonzo

O artista vai lançar "O resto das canções", produzido pelo brasileiro Max Viana

 

Gonzo (Beira – Moçambique, 1979) é filho do músico Abibo Abdula, mas nem na infância nem na adolescência se interessou por esta arte. Porém, com vinte anos, com um grupo de amigos formou a Innocent, uma banda de rock, e com ela concorreu a um concurso musical organizado por uma emissora de rádio da cidade da Beira. Conseguiu ganhar o prémio para a melhor voz.
A banda continuou alguns tempos, mas a maior parte dos integrantes acabaram por desistir. Não foi o caso do Gonzo, que resistiu: “Fui correndo atrás de produtores. Sempre que houvesse oportunidade, eu apresentava as minhas composições e fui destacando até que um dia um destacado produtor moçambicano cruzou-se comigo e interessou-se. Abriu-se a primeira porta”.
Em 2001 fez a sua primeira gravação a solo com a colaboração do produtor Dinho XS. “O pop-rock que se ouvia em Moçambique chegava sempre de fora e o meu trabalho atingiu esse patamar. Foi um sucesso de primeira linha”, mais ainda quando se deu a conhecer o Pra onde vais (volta) com B-Clan-Gang.
Após uma etapa centrada nos estudos de Direito na Universidade Jean Piaget, em 2008 lançou a gravação simples intitulada Anónimos, cujo sucesso no mercado foi um enorme estímulo para a posterior preparação do CD Amores e poemas (2010), com edição independente na África do Sul.
Agora Gonzo está contente: o seu pop-rock moçambicano carregado de baladas románticas conseguiu entrar e -o mais importante- assentar-se num panorama musical centrado no Kizomba. Agora Gonzo lança mais videoclipes (como o intitulado “Solidão“) e trabalha em colaboração com o produtor brasileiro Max Viana no disco O resto das canções: “Se tudo correr bem, para dia 12 de outubro farei uma apresentação intitulada Violão na minha sala. A ideia é trazer ao público um formato mais intimista. Primeiro em Maputo. Outro na Beira. E depois em Quelimane e em Pemba. Será em outubro, novembro e dezembro”.
Antes de finalizar a entrevista, ainda houve um tempo para as sugestões musicais que o Gonzo nos deixa: em primeira linha, Djavan e Milton Nascimento, no Brasil; em Portugal Luís Represas e Paulo Gonzo; em Moçambique Stewart Sukuma. Em Angola Gabriel Tchiema e Filipe Mukenga. Em Cabo Verde Sara Tavares. Em São Tomé os irmãos Calema. Na Guiné os Tabanka Djaz
Assim é o Gonzo e assim são os programas dedicados às Grandes Vozes do Nosso Mundo. Ponte musical entre a Galiza e Moçambique… e Angola.. e o Brasil… e todas as comunidades lusófonas na diáspora.
A navegar!

Depois do lancamento do CD (2010), Gonzo conseguiu duas nomeações para o MMA (Mozamique Music Awards) onde ganhou dois trofeus: Melhor POP ROCK 2011, com o Album Amores e Poemas; e Vídeo Mais Popular, com Anónimos.

 

Gonzo com o empresario musical Puchinho Varela na gala dos Premios da Música de Moçambique. O artista leva na mão os trofeus ganhados.

PRA ONDE VAIS (volta)
(Letra e Musica: Gonzo
Arranjos e produção: Dinho Xs)

Desapareceste
E até parece que esqueceste
Que um dia por mim choraste
Telefone pra ti não existe
E ate parece que algum mal te fiz
Saíste sem dizer pra onde vais
Fingiste que por mim choravas
Sem pudor te amei
E continuo a amar
Será que um dia hei-de voltar a ver-te
Manha de quinta-feira
Espero por ti, chamo por ti ohh..hei…
Manha de quinta-feira choro por ti, chamo por ti ohh..hei..
Tu és a razão de ser
sem ti não sei viver
Noites perdidas,
Dias não sei, de que lado tu estas e pra onde vais
Tu és a razão de ser
sem ti não sei viver

 

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