P69 – Sara Alhinho, caboverdiana universal

 

De tempos em tempos, surgem no mundo da música grandes sagas familiares em que um mesmo apelido, ligado a nomes diferentes, passa a ser sinónimo de virtuosismo e fecundidade criativa. Nascida e crescida num ambiente cultural invejável, a caboverdiana Sara Alhinho está a preparar o seu segundo trabalho, Ton di Petu, totalmente financiado pelos numerosos fãs da artista. Enquanto esperamos por este novo disco, desejosos de ouvir a sua música e deixar-nos surpreender pelo talento da cantora, não resistimos a tentação de entrar em contacto com ela para saber mais sobre as origens do mosaico de ritmos que nos oferece a cada nova canção.

 

Sara Alhinho, muito boa tarde!

Boa tarde.

 

Estamos muito felizes de poder conversar consigo no programa.

Obrigada, igualmente, estou muito contente de poder participar.

 

Antes de mais nada, quero apresentar-lhe o meu companheiro Edilson, caboverdiano de Ribeira da Barca, na ilha de Santiago.

Boa tarde! [Edilson]

Olá, Edilson!

 

Como estás?

Bem, tudo dretu?

 

Tudo! Sara, apresente-nos a família. Assim, a nossa audiência acaba por saber por que razão vive entre várias culturas desde a infância.

Sou caboverdiana. A minha mãe, Teté Alhinho, é caboverdiana; eu nasci em Portugal, mas vivi em Cabo Verde sempre desde os seis anos de idade, e o meu pai é mexicano. Cresci exposta a diferentes culturas e desde pequena sempre escutei música mexicana, caboverdiana, portuguesa e de muitas partes do mundo. Cabo Verde são umas pequenas ilhas, mas com muitas influências, sempre abertas ao mundo e a receber músicas novas. Essa é a minha família e o meio onde cresci.

 

Conte-nos quem era a Sara Sarita e o que foi dela.

A Sara Sarita era uma rapariga de oito anos que cantou um tema intitulado “Sara Sarita” no CD Menino das Ilhas, o qual derivou num videoclip que foi feito na altura. Ficou conhecido no meio das crianças e até hoje em dia às vezes veem-me na rua e ainda sou a Sara Sarita. Hoje essa menina ainda existe, é uma memória viva entre as pessoas da minha geração, inclusive entre as crianças que nascem, através dos pais ou dos avós que ouviram e se lembram desse tema. A Sara Sarita é uma figura que ainda está presente e espero que esteja presente sempre na memória das pessoas, dado que foi um tema emblemático que marcou a infância de muitas crianças.

 

A sua primeira experiência de gravação foi Menino das Ilhas. Qual é a história daquele álbum?

Menino das Ilhas é um CD que foi produzido pela minha mãe e Paulinho Vieira, onde eu cantei três temas. Trata-se de um disco para crianças que hoje em dia é um clássico na música infantil de Cabo Verde. Se não estou em erro, foi um dos primeiros CDs de música infantil caboverdiana. Gosto muito deste disco, é muito bonito: a capa foi feita pela Luísa Queirós, uma grande pintora que tristemente já faleceu, e em relação à música conta com composições da minha mãe e de outros artistas.

 

Fale-nos da etapa dos Mea-Culpa. Que idade tinha?

O Mea-Culpa foi uma banda formada pelos filhos dos membros de Simentera, nomeadamente eu; a Kady; o Henrique; o Diego; a Sory, irmã da Kady, filhas da Terezinha Araújo; o Alberto, filho do Mário Lúcio, e a Danae Estrela. São muitos deles compositores e também artistas. Eu tinha 12 anos na altura e formávamos uma banda de jovens, com composições próprias, que participou de vários eventos e programas de televisão. Era interessante, porque nascemos em famílias de músicos e reproduzimos o que eles faziam:  eles tinham um grupo e nós decidimos criar também a nossa banda. Foi uma muito boa etapa porque, mesmo sendo muito novinhos, realizávamos um trabalho muito profissional com letras boas e variadas. A explicação do nome Mea-Culpa tem a ver com que achávamos que a metade da culpa de sermos artistas era nossa, enquanto que a outra metade era dos nossos pais, por incentivarem-nos e por serem os nossos referentes.

 

O que é o Quintal da Música?

O Quintal da Música foi um espaço cultural que ainda existe, mas que surgiu como um conceito diferente na altura. Foi um espaço aberto pela minha mãe e pelo ex-ministro da cultura Mácio Lúcio. Os dois montaram o espaço com o intuito de criar um lugar onde os artistas pudessem ter uma casa, aceder a instrumentos, tocar e dar-se a conhecer; mas também um lugar onde pudessem realizar-se atividades destinadas a promover a cultura. Eu tive a sorte e muitos dos amigos que se dedicam à música tivemos a sorte de crescer aí, dar-nos a conhecer e ter partilhas com vários músicos de gerações diferentes. Cada dia era dedicado a um estilo diferente: havia um dia para a velha guarda, outro para jovens e crianças, outro para músicos mais consolidados… Nesse contexto, deram-se a conhecer vários artistas. Eu lembro-me do Pantera, que todas as quintas-feiras enchia a sala, não havia mais espaço para receber pessoas. A Mayra de Andrade é outra das artistas se deu a conhecer no Quintal da Música. O espaço também recebeu o Vadú, a Isa Pereira, o Tito Paris, Tcheka, Boy Gé Mendes… todos os artistas caboverdianos mais novos, da geração pós-Pantera, passaram por aí e, de facto, tinha sido criado com esse intuito.

 

Em plena adolescência enveredou para o México. Qual é o balanço daquela etapa.

Tinha 16 anos quando fui para o México. O balanço foi muito positivo: aprendi muito, cresci muito. Fui com o intuito de dedicar-me à música e gravamos um demo e apresentamo-lo a várias editoras, como a Sony Music, a BMG, a Universal e outras independentes. Tive algumas propostas de gravação na época, mas eu não conhecia o mercado e fiquei um bocado assustada. O México é um mercado muito grande, acho que é dos mercados principais dentro da música latino-americana, e ainda que estava inclinada a assinar pela Sony Music, não o  fiz tive que voltar para Cabo Verde acabar os estudos. Contudo, foi uma experiência muito boa, cresci muito na altura e conheci muitos músicos e a indústria musical do país.

 

Outra das suas experiências formativas foi o álbum Gerassons. Como foi a experiência de trabalhar com a própria mãe?

Foi uma experiência muito bonita que hei de carregar sempre comigo. O álbum tem três temas meus e outros três com a minha mãe. Tivemos a oportunidade de fazer uma tourné por salas conceituadas da Europa. A que poder partilhar a tua profissão e a tua paixão com a tua própria mãe é quase uma dádiva e espero poder tornar a repetir esta vivência.

 

Que aprendeu nesse ano em que viajou pela Europa?

Aprendi a ter muita paciência porque nas turnês andamos muito tempo de carro, são cansativas. Às vezes não é fácil trabalhar com músicos e pessoas diferentes, expostos a situações e públicos distintos. Por outra parte, aprendi também a partilhar o palco com uma banda, dado que foi das primeiras vezes em que estive com mais constância a tocar com uma. Este tipo de circunstância fazem-nos crescer como artistas.

 

Falemos agora do Mosaico, o seu primeiro álbum. Porque esse título?

O título representa um pouco a minha identidade multicultural. Foram composições que partiram de condições diversas e teve a participação de músicos  de diversas partes: italianos, guineenses, mexicanos, caboverdianos, portugueses… o CD em si representa um mosaico pelo facto da cooperação de vários músicos e inclusive viajou por vários sítios como Cabo Verde, México, Portugal ou a Itália. É um mosaico desde a sua construção e representa o que eu sou, a começar pelos temas e a sua composição: há fado morno, batuques e mesmo um tema de estilo mexicano. Pretende igualmente representar o caboverdiano em si: um povo globalizado que reflecte na sua própria música a vontade de integrar várias culturas conservando uma identidade muito própria.

 

De quem são as letras e a música?

São minhas, tanto a letra quanto a música.

 

Antes de finalizar, Sara, a todas as pessoas que passam pelo nosso programa pedimos que nos façam meia dúzia de sugestões de artistas do nosso mundo: Galiza, Portugal, Cabo Verde…

Gosto das músicas que sempre ouvi e que marcaram a minha infância. Em Cabo Verde, Simentera, com a minha mãe, que também é uma grande referência para mim; o Pantera; o Ildo Lobo, Bana, Cesária. Temos também a Kady Araújo, o Alberto Koenig e vários artistas mais. Da música brasileira, o Djavan, que foi uma das minhas grandes referências; a Marisa Monte ou o Cartola. Gosto muito de guitarristas brasileiros, como o Toquinho, o Tom Jobim, o Paulo Moska. No Brasil, Alcione também é uma grande cantora.

Quanto a Portugal, não estou muito conectada ao que se tem feito ultimamente, mas as minhas referências são Madredeus, a Ala dos Namorados, Rio Grande, o Rui Veloso, Da Weasel, General D, Amália Rodrigues.

Em relação à música galega, só conheço a Uxía Senlle, que para mim é quase a Mercedes Sosa da Galiza. Infelizmente, não conheço mais grupos galegos, mas gostaria de conhecer mais.

 

Sara, foi um grande prazer poder conversar consigo. Desejamos-lhe muita sorte nos seus futuros projetos.

Muito obrigada e sucesso.

A Dádiva da Vida


 

Genial ideia a do jovem Marco Pereira Oliveira: fazer um programa radiofônico com as melhores músicas dos países de raiz galega. Começou muito bem: sobre bases sólidas, de menos a mais, com a máxima humildade. O primeiro entrevistado no espaço para a conversa -o “Deixe falar”, que dura 15 minutos- foi um professor a quem o radiofonista pediu sugestões de boas músicas cantadas no nosso idioma. Na resposta estava perfeitamente resumida a filosofia do que iria ser o Grandes Vozes. O musicólogo recomendou a galega Uxía; Tcheka e Mayra de Andrade, de Cabo Verde; a angolana Aline Frazão; e o Chico César e o Lenine, ambos do Brasil. Esse era o desenho da grande ponte musical a construir.

Felizmente, dois anos depois, com uma experiência de dezenas de programas já realizados, o programa do Marco Pereira é uma grande ponte bidirecional: leva a música galega para um e outro lado do Atlântico; e traz para a Galiza as músicas de todos os países que abraçaram o nosso idioma.

Talvez como celebração não pregoada desse sucesso, Marco e a sua equipa programaram uma entrega extraordinariamente simbólica: a dedicada à cantora brasileira Lucina, que leva meio século a combinar a composição com os palcos, os estúdios de gravação e mesmo as aulas.

Antes da entrevista, a carta de apresentação da convidada com a sua própria música: “Eu não quero a guerra dos egos //eu não falo a língua dos gregos //eu agrego e agradeço //não repasso meus tropeços//me consinto o que mereço//um apreço, um abraço //me entrego//um em meio ao meio um em todos por inteiro”. Depois as cálidas saudações e o apreço e a entrega da cantora à audiência. Primeiro o o Grupo Manifesto, a seguir os vinte e cinco anos de dupla com a Luli, o Movimento de Música Independente, a carreira a solo e o Canto de árvore. Na

parte final ainda o discurso pedagógico para dar a conhecer as nossas grandes vozes. Foi o momento do Breno Ruiz, do Túlio Borges, da Zélia Duncan, da Adriana Sanchez e da Oneide Bastos e da sua filha Patrícia Bastos “que está ganhando o mundo com uma voz deslumbrante e cantando as coisas da terra”.

No final do programa, enquanto estão a soar os primeiros acordes da música de saída, nós voltamos atrás e fazemos avaliação desses quinze minutos maravilhosos e é então quando a voz da Lucina fala também por nós: “A dádiva da vida (…). Não há nada melhor do que estar entre amigos. E poder celebrar alegrias contigo. Cantar, brindar, agradecer tantas graças divinas. O amor, a amizade, saúde e felicidade a dádiva da vida”.

P67 – Lucina apresenta «Canto de Árvore»

No Grandes Vozes sentimos uma atração especial pelos pioneiros. A cada semana passam pelo nosso programa artistas de vanguarda, com novas propostas musicais que vão do tradicional ao revolucionário. No entanto, nem sempre temos a sorte de contar com a participação de uma cantora cujo projeto musical transformador nasceu há já 50 anos e que continua a inovar com cada um de seus lançamentos.

Lucina esteve nesta nova edição do programa para apresentar o seu novo álbum Canto de Árvore. Obviamente, o Marco e a Raquel não desperdiçaram essa oportunidade de conversar com ela sobre a longa carreira musical da artista e ouvir algumas das suas músicas. Temos a certeza de que vão admirar tanto quanto nós essa voz extraordinária, num trabalho verdadeiramente único para o qual conseguiu escolher os melhores parceiros.

 

Lucina, muito boa tarde!

Boa tarde, Marco! Tudo bem? É um prazer enorme estar falando com vocês.
 

Aqui está tudo bem e nós muito contentes por poder conversar consigo.

Tão longe e tão perto, não é?
 

Pois é! Antes de mais nada: parabéns por esses 50 anos nos palcos. É um prazer tê-la conosco.

Eu também estou muito feliz. São muitos anos de carreira, sempre apresentando alguma coisa diferente, alguma coisa nova. É muito estimulante estar sempre se reinventando.
 

Estamos em conversa com Lucina, cantora e compositora com 50 anos de carreira. Com ela falaremos de Canto de Árvore, álbum de composição própria gravado na cidade de São Paulo. Aproveitando esta oportunidade única da entrevista concedida ao Grandes Vozes, lembraremos também algumas etapas da sua carreira, como a participação do Grupo Manifesto ou da dupla Luli e Lucina.

50 anos de carreira. Como era a Lucina que gravou pela primeira vez com o Grupo Manifesto?

Eu era uma garota de dezesseis anos que começava a cantar e que, subitamente, entrou num grupo que ganhou o Festival Internacional da Canção aqui no Rio de Janeiro. De uma hora para a outra, entrei no grupo mais famoso da época. Foi uma experiência muito forte. Passaram-se dois anos, o grupo acabou e cada um foi seguir o seu próprio destino. Foi então quando conheci a Luli, com quem fiz uma dupla e fomos as primeiras mulheres a gravar de forma independente no Brasil.
 

Como é que a dupla funcionou durante 25 anos?

Fomos uma referência do cenário alternativo no Brasil: as primeiras mulheres compositoras cantoras que tocávamos dez tambores, além dos nossos violões, com um trabalho totalmente autoral. Foi tão interessante que gerou inclusive sete álbuns e uma longa-metragem sobre a nossa vida e obra, chamado Yorimatã.
 

Como era a distribuição de responsabilidades nesse par artístico?

Fomos as primeiras independentes no Brasil. Numa época em que o habitual era recorrer à gravadora, optamos por não utilizá-la. Vendíamos os nossos LP praticamente no mão a mão, pelo correio e em shows. Tínhamos uma espécie cooperativa junto com outros músicos e saíamos cada qual com o seu projeto, mas vendendo o trabalho de todos. Existia uma cooperação muito forte entre artistas independentes, como o António Adolfo, A Barca do Sol ou o Danilo Caymmi. Essas eram algumas das pessoas com quem partilhávamos essa forma de distribuir o trabalho.
 

Falemos agora da carreira a solo. Qual foi o primeiro trabalho?

O primeiro trabalho foi o Inteira pra Mim, ainda que todos os meus trabalhos são autorais. Montei uma banda pequena com piano, uma percussão bem boa, baixo e o meu violão. Esse primeiro álbum me rendeu uma indicação ao prémio Sharp na época como revelação de cantora.
 

Deixando de lado Canto de Árvore, de que falaremos a seguir, qual é o seu disco preferido?

Cada disco que fazemos está retratando um desejo de dizer certas coisas, de mostrar determinados sons. Acredito que cada um desses CDs que lancei partiram dessa proposta e fui feliz nele. Sinceramente, não tenho um que seja especialmente querido; gosto de todos eles. Como estou lançando o último, o Canto de Árvore, tenho-me dedicado mais a ele, mas os outros são também queridos. Tenho, por exemplo, o + do que Parece, onde gravei as minhas baterias com a Zélia Duncan; A Música em Mim, que tem a direção de uma grande maestrina brasileira, a Bia Paes Leme; ou o Novos Pontos de Umbanda, que levei a festivais internacionais. No Água dos Matos desci os rios Paraguai e Cuiabá em pleno Pantanal; são músicas que fiz em cima do rio. Cada CD retrata algo diferente.
 

Quais são os conteúdos do Canto de Árvore?

O Canto de Árvore é um CD de silêncios. É o menos romântico e mais existencial dos meus discos. Tem uma sonoridade muito interessante: o violoncelo fazendo frases junto com o acordeão. Tem instrumentos diferenciados, como os steel drums da Jamaica, conversando com percussões turcas e outro tipo de tambor. Os meus tambores e o violão fazem a base de tudo, com baixo, cavaquinho e violão de jazz somando. Participam os músicos Peri Pane, Otávio Ortega, Marcelo Dworecki e Decio Gioielli.
 

As letras são da sua autoria?

Todas as músicas são minhas, como se eu fosse o tronco dessa árvore, mas os poetas vêm de vários cantos do Brasil. São bem diversos, são dez parceiros diferentes.
 

Para termos uma panorâmica das suas músicas, está disponível no mercado algum disco compilatório?

Estão em formato digital, em praticamente todas as plataformas. Spotify, Deezer, iTunes, Google Play. Canto de Árvore também está lá disponível.
 

A gente já sabe então onde pode ouvir as suas músicas, o que é muito recomendável.

Canto de Árvore existe em CD físico. Os outros discos, alguns estão disponíveis nestas plataformas e outros não. O Inteira pra Mim está, já o Água dos Matos  e A Música em Mim só é possível ouvi-lo em físico. Vou começar e disponibilizar todos esses discos na rede, mas leva um pouquinho de tempo.
 

Lucina, estamos a terminar. Pedimos a todas as pessoas que passam pelo nosso programa meia dúzia de sugestões musicais, feitas nos países com raiz galega.

A primeira sugestão é um cara chamado Breno Ruiz. É um cantor compositor que tem um dos trabalhos mais interessantes que vi nos últimos tempos. Outro é o Túlio Borges, também compositor e cantor. O Túlio tem uma voz muito especial e a maneira como ele mistura a instrumentação é bastante interessante e bem brasileira.  Também posso falar de Oneide Bastos, uma senhora do Macapá, lá em cima do Brasil, bem no norte. Traz umas músicas da região muito bonitas e melodiosas, com um ritmo especialíssimo, o marabaixo. Recomendo muito igualmente a Patrícia Bastos, que ganhou muitos prêmios nos últimos tempos. É filha da Oneide e está ganhando o mundo com uma voz deslumbrante e cantando as coisas da terra.

Vou falar também da Zélia Duncan: todo o mundo a conhece, mas é uma parceira importante para mim. Tenho uma obra grande com ela e não me canso de ver a trajetória artística onde ela vai arriscando e tentando novos lugares, novas maneiras de cantar, novos repertórios. Acho que sempre vai valer a pena a gente partir para escutar a Zélia Duncan.

A sexta pessoa é a Adriana Sanchez, que toca o acordeão e tem uma banda grande. Acabou de gravar um CD em homenagem a Luiz Gonzaga, fazendo uma releitura extremamente atual e bem moderna de toda a obra dele.
 

Lucina, muito obrigado por ter conversado conosco!

Eu que agradeço a você, Marco, à Raquel e a toda a equipe. É maravilhoso que façam esse trabalho relativo à língua portuguesa. Fico muito feliz e honrada de estar aqui participando.
 

Muitos beijinhos, Lucina. Obrigada por falar conosco!

Um abraço muito grande para todo o mundo que está escutando.

Selma Uamusse

África a dialogar com o mundo sem perder a identidade

O Peregrino por Rodrigo Leão, Selma Uamusse , o Coro Gulbenkian e a Orquestra Gulbenkian em VEVO.

A equipa do Grandes Vozes do Nosso Mundo está a desfrutar de um descanso bem merecido trás esta segunda temporada de encontros mágicos e emoções intensas. Contudo, queremos acompanhá-los de alguma maneira nestes meses de repouso. Nas próximas semanas iremos publicando algumas das nossas entrevistas em formato texto para nos poderem ler tranquilamente na praia, na montanha ou sentados na esplanada de um café urbano.

Há duas semanas entrevistávamos a moçambicana Selma Uamusse. A cantora conseguiu tocar os corações compostelanos com a sua atuação no festival Terra da Fraternidade, a primeira oportunidade que tivemos na Galiza para assistir a um dos seus concertos. A continuação, a transcrição da entrevista:
 

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[P62] Selma Uamusse

De Lisboa a Burela: Selma Uamusse falou connosco justo antes de viajar para a Galiza. O festival Terra da Fraternidade, em Compostela, foi o lugar escolhido para a primeira atuação a solo desta artista no nosso país.
 
A sua música, na qual se destacam os instrumentos tradicionais de Moçambique e a fusão de ritmos heterogéneos, é a união das diversas culturas presentes nas suas origens e durante a sua etapa de formação.
 
Enquanto esperamos o lançamento do primeiro disco da Selma e o seu regresso à Galiza, no Grandes Vozes convidamos-vos a escutar a entrevista que o Edilson e o Marco realizaram à artista moçambicana. Uma conversa a não perder!

 

Vídeo: Antena 3