P69 – Sara Alhinho, caboverdiana universal

 

De tempos en tempos, xorden no mundo da música grandes sagas familiares en que un mesmo apelido, ligado a nomes distintos, pasa a ser sinónimo de virtuosismo e fecundidade creativa. Nacida e crecida nun ambiente cultural envexable, a caboverdiana Sara Alhinho está a preparar o seu segundo traballo, Ton di Petu, totalmente financiado polos numerosos fans da artista. Mentres esperamos por este novo disco, desexosos de ouvir a súa música e deixarnos sorprender polo talento da cantora, non resistimos a tentación de entrar en contacto con ela para sabermos máis sobre as orixes do mosaico de ritmos que nos ofrece en cada nova canción.

 

Sara Alhinho, muito boa tarde!

Boa tarde.

 

Estamos muito felizes de poder conversar consigo no programa.

Obrigada, igualmente, estou muito contente de poder participar.

 

Antes de mais nada, quero apresentar-lhe o meu companheiro Edilson, caboverdiano de Ribeira da Barca, na ilha de Santiago.

Boa tarde! [Edilson]

Olá, Edilson!

 

Como estás?

Bem, tudo dretu?

 

Tudo! Sara, apresente-nos a família. Assim, a nossa audiência acaba por saber por que razão vive entre várias culturas desde a infância.

Sou caboverdiana. A minha mãe, Teté Alhinho, é caboverdiana; eu nasci em Portugal, mas vivi em Cabo Verde sempre desde os seis anos de idade, e o meu pai é mexicano. Cresci exposta a diferentes culturas e desde pequena sempre escutei música mexicana, caboverdiana, portuguesa e de muitas partes do mundo. Cabo Verde são umas pequenas ilhas, mas com muitas influências, sempre abertas ao mundo e a receber músicas novas. Essa é a minha família e o meio onde cresci.

 

Conte-nos quem era a Sara Sarita e o que foi dela.

A Sara Sarita era uma rapariga de oito anos que cantou um tema intitulado “Sara Sarita” no CD Menino das Ilhas, o qual derivou num videoclip que foi feito na altura. Ficou conhecido no meio das crianças e até hoje em dia às vezes veem-me na rua e ainda sou a Sara Sarita. Hoje essa menina ainda existe, é uma memória viva entre as pessoas da minha geração, inclusive entre as crianças que nascem, através dos pais ou dos avós que ouviram e se lembram desse tema. A Sara Sarita é uma figura que ainda está presente e espero que esteja presente sempre na memória das pessoas, dado que foi um tema emblemático que marcou a infância de muitas crianças.

 

A sua primeira experiência de gravação foi Menino das Ilhas. Qual é a história daquele álbum?

Menino das Ilhas é um CD que foi produzido pela minha mãe e Paulinho Vieira, onde eu cantei três temas. Trata-se de um disco para crianças que hoje em dia é um clássico na música infantil de Cabo Verde. Se não estou em erro, foi um dos primeiros CDs de música infantil caboverdiana. Gosto muito deste disco, é muito bonito: a capa foi feita pela Luísa Queirós, uma grande pintora que tristemente já faleceu, e em relação à música conta com composições da minha mãe e de outros artistas.

 

Fale-nos da etapa dos Mea-Culpa. Que idade tinha?

O Mea-Culpa foi uma banda formada pelos filhos dos membros de Simentera, nomeadamente eu; a Kady; o Henrique; o Diego; a Sory, irmã da Kady, filhas da Terezinha Araújo; o Alberto, filho do Mário Lúcio, e a Danae Estrela. São muitos deles compositores e também artistas. Eu tinha 12 anos na altura e formávamos uma banda de jovens, com composições próprias, que participou de vários eventos e programas de televisão. Era interessante, porque nascemos em famílias de músicos e reproduzimos o que eles faziam:  eles tinham um grupo e nós decidimos criar também a nossa banda. Foi uma muito boa etapa porque, mesmo sendo muito novinhos, realizávamos um trabalho muito profissional com letras boas e variadas. A explicação do nome Mea-Culpa tem a ver com que achávamos que a metade da culpa de sermos artistas era nossa, enquanto que a outra metade era dos nossos pais, por incentivarem-nos e por serem os nossos referentes.

 

O que é o Quintal da Música?

O Quintal da Música foi um espaço cultural que ainda existe, mas que surgiu como um conceito diferente na altura. Foi um espaço aberto pela minha mãe e pelo ex-ministro da cultura Mácio Lúcio. Os dois montaram o espaço com o intuito de criar um lugar onde os artistas pudessem ter uma casa, aceder a instrumentos, tocar e dar-se a conhecer; mas também um lugar onde pudessem realizar-se atividades destinadas a promover a cultura. Eu tive a sorte e muitos dos amigos que se dedicam à música tivemos a sorte de crescer aí, dar-nos a conhecer e ter partilhas com vários músicos de gerações diferentes. Cada dia era dedicado a um estilo diferente: havia um dia para a velha guarda, outro para jovens e crianças, outro para músicos mais consolidados… Nesse contexto, deram-se a conhecer vários artistas. Eu lembro-me do Pantera, que todas as quintas-feiras enchia a sala, não havia mais espaço para receber pessoas. A Mayra de Andrade é outra das artistas se deu a conhecer no Quintal da Música. O espaço também recebeu o Vadú, a Isa Pereira, o Tito Paris, Cheka, Boy Gê Mendes… todos os artistas caboverdianos mais novos, da geração pós-Pantera, passaram por aí e, de facto, tinha sido criado com esse intuito.

 

Em plena adolescência enveredou para o México. Qual é o balanço daquela etapa.

Tinha 16 anos quando fui para o México. O balanço foi muito positivo: aprendi muito, cresci muito. Fui com o intuito de dedicar-me à música e gravamos um demo e apresentamo-lo a várias editoras, como a Sony Music, a BMG, a Universal e outras independentes. Tive algumas propostas de gravação na época, mas eu não conhecia o mercado e fiquei um bocado assustada. O México é um mercado muito grande, acho que é dos mercados principais dentro da música latino-americana, e ainda que estava inclinada a assinar pela Sony Music, não o  fiz tive que voltar para Cabo Verde acabar os estudos. Contudo, foi uma experiência muito boa, cresci muito na altura e conheci muitos músicos e a indústria musical do país.

 

Outra das suas experiências formativas foi o álbum Gerassons. Como foi a experiência de trabalhar com a própria mãe?

Foi uma experiência muito bonita que hei de carregar sempre comigo. O álbum tem três temas meus e outros três com a minha mãe. Tivemos a oportunidade de fazer uma tourné por salas conceituadas da Europa. A que poder partilhar a tua profissão e a tua paixão com a tua própria mãe é quase uma dádiva e espero poder tornar a repetir esta vivência.

 

Que aprendeu nesse ano em que viajou pela Europa?

Aprendi a ter muita paciência porque nas turnês andamos muito tempo de carro, são cansativas. Às vezes não é fácil trabalhar com músicos e pessoas diferentes, expostos a situações e públicos distintos. Por outra parte, aprendi também a partilhar o palco com uma banda, dado que foi das primeiras vezes em que estive com mais constância a tocar com uma. Este tipo de circunstância fazem-nos crescer como artistas.

 

Falemos agora do Mosaico, o seu primeiro álbum. Porque esse título?

O título representa um pouco a minha identidade multicultural. Foram composições que partiram de condições diversas e teve a participação de músicos  de diversas partes: italianos, guineenses, mexicanos, caboverdianos, portugueses… o CD em si representa um mosaico pelo facto da cooperação de vários músicos e inclusive viajou por vários sítios como Cabo Verde, México, Portugal ou a Itália. É um mosaico desde a sua construção e representa o que eu sou, a começar pelos temas e a sua composição: há fado morno, batuques e mesmo um tema de estilo mexicano. Pretende igualmente representar o caboverdiano em si: um povo globalizado que reflecte na sua própria música a vontade de integrar várias culturas conservando uma identidade muito própria.

 

De quem são as letras e a música?

São minhas, tanto a letra quanto a música.

 

Antes de finalizar, Sara, a todas as pessoas que passam pelo nosso programa pedimos que nos façam meia dúzia de sugestões de artistas do nosso mundo: Galiza, Portugal, Cabo Verde…

Gosto das músicas que sempre ouvi e que marcaram a minha infância. Em Cabo Verde, Simentera, com a minha mãe, que também é uma grande referência para mim; o Pantera; o Ildo Lobo, Bana, Cesária. Temos também a Kady Araújo, o Alberto Koenig e vários artistas mais. Da música brasileira, o Djavan, que foi uma das minhas grandes referências; a Marisa Monte ou o Cartola. Gosto muito de guitarristas brasileiros, como o Toquinho, o Tom Jobim, o Paulo Mosca. No Brasil, Alcione também é uma grande cantora.

Quanto a Portugal, não estou muito conectada ao que se tem feito ultimamente, mas as minhas referências são Madredeus, a Ala dos Namorados, Rio Grande, o Rui Veloso, Da Weasel, General D, Amália Rodrigues.

Em relação à música galega, só conheço a Uxía Senlle, que para mim é quase a Mercedes Sosa da Galiza. Infelizmente, não conheço mais grupos galegos, mas gostaria de conhecer mais.

 

Sara, foi um grande prazer poder conversar consigo. Desejamos-lhe muita sorte nos seus futuros projetos.

Muito obrigada e sucesso.

P68 – Conversamos con Antón Blanco, dos Atrás Tigre.

 

A crítica especializada canta louvores ao traballo dos Atrás Tigre e nós quixemos saber un pouco máis sobre eles. Estivemos con Antón Blanco, batería do grupo, que tivo a xentileza de falarnos sobre as orixes da banda, os seus dous traballos anteriores e  o inicio da xestación dun novo disco que aínda está por definir.

Como cada semana, recomendámoslles que non perdan esta nova entrega do Grandes Voces do Noso Mundo.

 

Antón Blanco, moi boa tarde!

Boa tarde.

 

Moitísimas grazas pola xentileza de atender a chamada do Grandes Voces do Noso Mundo.

A vós por chamardes.

 

Antes de máis nada, teño a certeza de que esta pregunta é moi típica, mais é necesaria: Cal é a explicación do nome?

Eu non estaba aí no momento en que se decidiu o nome, mais téñolles escoitado a explicación aos meus compañeiros. Simplemente, non sabendo que nome escoller, meteron varias palabras nunha bolsa e foron sacando pares, estilo dadá. O par de palabras que máis lles gustou foi Atrás Tigre.

 

Que artistas integran a banda?

Atrás Tigre somos Olalla Cociña, veciña vosa de Viveiro; Xiana Arias, da Fonsagrada; Pedro Solla, o cantante, que é de Pontevedra, e eu, que son de Vilagarcía.

 

Alén da propia responsabilidade sobre o escenario, que outras tarefas realizan os integrantes do grupo?

Eu son o único membro do grupo que non son xornalista, son estudante. A Olalla dedícase á publicación, nunha libraría; a Xiana dedícase á radio.

 

Nesta banda de escritores e escritoras, as letras son individuais ou colectivas?

Normalmente son colectivas.

 

Após procurarmos información sobre o voso estilo, din os especialistas que facedes pop C86, dream pop e jangle pop, con intensidade shoegaze. A crítica é moi interesante, mais o público mortal precisa dunha explicación, dado que se trata dunha linguaxe demasiado técnica. Cóntanos!

É verdade, é moi técnica. Trátase dunha mestura do pop británico, que non ten tanto que ver co pop americano, con grupos dos 80 como The Cure ou outros máis actuais como Slowdive. Neste estilo os teclados son moi importantes, as voces son graves e os ritmos son máis profundos, ás veces máis lentos.

 

Fálanos dos dous traballos que tendes editados.

Existe unha pequena demo en casete publicada hai dous anos. Son o menos indicado en falar, dado que fun o último membro en chegar ao grupo, mais é un traballo moito máis condensado, dado que ten menos temas, e máis directo.

O outro traballo é un disco longo do ano pasado, Faino saír, que editamos en vinilo e que se move entre moitos estilos. Trata de encontrar un son que esperamos que se concrete máis nos novos traballos, aínda que posúe a maxia de combinar moitos elementos diferentes.

 

Que podemos encontrar no EP Atrás Tigre?

O estilo do EP é un pop moito máis directo, máis de festa. Son as cancións que tocamos no final dos nosos concertos, as preferidas do público para bailar.

 

Antes falábasnos dos distintos estilos incluídos no Faino saír. Cóntanos un pouco máis en concreto o que podemos encontrar alí.

No Faino saír podemos encontrar desde cancións moito máis escuras até temas verdadeiramente alegres e ritmos exóticos. Non sei se os meus compañeiros opinan o mesmo, mais eu diría que nalgunhas partes hai certos toques de psicodelia. Tamén conservamos algo do primeiro EP, dese pop máis bailábel e directo. En xeral todo o disco é bastante bailábel, aínda que se introducen músicas máis escuras, máis lentas e longas, con outro desenvolvemento.

 

Onde vos podemos ouvir proximamente?

Agora estamos nun momento de pausa, pois estivemos a tocar todo este ano pasado, mais penso que poderemos confirmar algunhas datas en breve. É probábel que anunciemos algo por Ourense, mais aínda non podemos dicir nada. Agora estamos máis paradiños, a pensar en compor algo novo.

 

Que tendes pensado para o novo traballo?

É unha boa pregunta! Estamos no medio do debate, a decidir cal que é o camiño que imos seguir. Penso que o que queremos é que o noso próximo traballo sexa moito máis restrinxido musicalmente, isto é, que non sexa tan abranguente como o Faino saír. Pretendemos que sexa unha música máis concreta.

 

Antes de finalizar a entrevista, a todos os convidados que pasan polo noso programa pedimos media ducia de recomendacións musicais das grandes voces do noso mundo: da Galiza, de Portugal, do Brasil ou dos países africanos a onde chegou o noso idioma. Cóntanos, cales son as túas preferencias?

En primeiro lugar, quero reivindicar Das Kapital, unha banda de electrónica industrial santiaguesa que xa non existe. As letras eran de Dani Salgado, cantaba o Leo e estaba tamén Paino. Por mencionar un clásico, aínda que eu penso que os clásicos hai que reivindicalos sempre, diría tamén Caetano Veloso; encántame e sempre está aí. Outros son os nosos compañeiros Ataque Escampe; aínda sendo amigos, son fan deles. Entre os galegos, desde pequeno escoito Berrogüetto e finalmente, en portugués, Lenine.

 

Moitas grazas, Antón, por falar connosco! Moitas grazas a vós.

Moitas grazas a vós!

P67 – Lucina presenta «Canto de Árvore»

No Grandes Voces sentimos unha atracción especial polos pioneiros. Cada semana pasan polo noso programa artistas de vangarda, con novas propostas musicais que van do tradicional ao revolucionario. Con todo, non todas as semanas temos a sorte de contar coa participación dunha cantora cuxo proxecto musical transformador naceu hai xa 50 anos e que continúa a innovar con cada un dos seus lanzamentos.

A Lucina estivo nesta nova edición do programa para presentar o seu novo disco Canto de Árvore. Como é obvio, o Marco e a Raquel non desaproveitaron esta oportunidade para conversar con ela sobre esta longa traxectoria musica e para ouvir algunhas das súas músicas. Temos a convicción de que van admirar tanto como nós esta voz excepcional, nun traballo verdadeiramente único para o cal soubo escoller os mellores parceiros.
 

Lucina, muito boa tarde!

Boa tarde, Marco! Tudo bem? É um prazer enorme estar falando com vocês.
 

Aqui está tudo bem e nós muito contentes por poder conversar consigo.

Tão longe e tão perto, não é?
 

Pois é! Antes de mais nada: parabéns por esses 50 anos nos palcos. É um prazer tê-la conosco.

Eu também estou muito feliz. São muitos anos de carreira, sempre apresentando alguma coisa diferente, alguma coisa nova. É muito estimulante estar sempre se reinventando.
 

Estamos em conversa com Lucina, cantora e compositora com 50 anos de carreira. Com ela falaremos de Canto de Árvore, álbum de composição própria gravado na cidade de São Paulo. Aproveitando esta oportunidade única da entrevista concedida ao Grandes Vozes, lembraremos também algumas etapas da sua carreira, como a participação do Grupo Manifesto ou da dupla Luli e Lucina.

50 anos de carreira. Como era a Lucina que gravou pela primeira vez com o Grupo Manifesto?

Eu era uma garota de dezesseis anos que começava a cantar e que, subitamente, entrou num grupo que ganhou o Festival Internacional da Canção aqui no Rio de Janeiro. De uma hora para a outra, entrei no grupo mais famoso da época. Foi uma experiência muito forte. Passaram-se dois anos, o grupo acabou e cada um foi seguir o seu próprio destino. Foi então quando conheci a Luli, com quem fiz uma dupla e fomos as primeiras mulheres a gravar de forma independente no Brasil.
 

Como é que a dupla funcionou durante 25 anos?

Fomos uma referência do cenário alternativo no Brasil: as primeiras mulheres compositoras cantoras que tocávamos dez tambores, além dos nossos violões, com um trabalho totalmente autoral. Foi tão interessante que gerou inclusive sete álbuns e uma longa-metragem sobre a nossa vida e obra, chamado Yorimatã.
 

Como era a distribuição de responsabilidades nesse par artístico?

Fomos as primeiras independentes no Brasil. Numa época em que o habitual era recorrer à gravadora, optamos por não utilizá-la. Vendíamos os nossos LP praticamente no mão a mão, pelo correio e em shows. Tínhamos uma espécie cooperativa junto com outros músicos e saíamos cada qual com o seu projeto, mas vendendo o trabalho de todos. Existia uma cooperação muito forte entre artistas independentes, como o António Adolfo, A Barca do Sol ou o Danilo Caymmi. Essas eram algumas das pessoas com quem partilhávamos essa forma de distribuir o trabalho.
 

Falemos agora da carreira a solo. Qual foi o primeiro trabalho?

O primeiro trabalho foi o Inteira pra Mim, ainda que todos os meus trabalhos são autorais. Montei uma banda pequena com piano, uma percussão bem boa, baixo e o meu violão. Esse primeiro álbum me rendeu uma indicação ao prémio Sharp na época como revelação de cantora.
 

Deixando de lado Canto de Árvore, de que falaremos a seguir, qual é o seu disco preferido?

Cada disco que fazemos está retratando um desejo de dizer certas coisas, de mostrar determinados sons. Acredito que cada um desses CDs que lancei partiram dessa proposta e fui feliz nele. Sinceramente, não tenho um que seja especialmente querido; gosto de todos eles. Como estou lançando o último, o Canto de Árvore, tenho-me dedicado mais a ele, mas os outros são também queridos. Tenho, por exemplo, o + do que Parece, onde gravei as minhas baterias com a Zélia Duncan; A Música em Mim, que tem a direção de uma grande maestrina brasileira, a Bia Paes Leme; ou o Novos Pontos de Umbanda, que levei a festivais internacionais. No Água dos Matos desci os rios Paraguai e Cuiabá em pleno Pantanal; são músicas que fiz em cima do rio. Cada CD retrata algo diferente.
 

Quais são os conteúdos do Canto de Árvore?

O Canto de Árvore é um CD de silêncios. É o menos romântico e mais existencial dos meus discos. Tem uma sonoridade muito interessante: o violoncelo fazendo frases junto com o acordeão. Tem instrumentos diferenciados, como os steel drums da Jamaica, conversando com percussões turcas e outro tipo de tambor. Os meus tambores e o violão fazem a base de tudo, com baixo, cavaquinho e violão de jazz somando. Participam os músicos Peri Pane, Otávio Ortega, Marcelo Dworecki e Decio Gioielli.
 

As letras são da sua autoria?

Todas as músicas são minhas, como se eu fosse o tronco dessa árvore, mas os poetas vêm de vários cantos do Brasil. São bem diversos, são dez parceiros diferentes.
 

Para termos uma panorâmica das suas músicas, está disponível no mercado algum disco compilatório?

Estão em formato digital, em praticamente todas as plataformas. Spotify, Deezer, iTunes, Google Play. Canto de Árvore também está lá disponível.
 

A gente já sabe então onde pode ouvir as suas músicas, o que é muito recomendável.

Canto de Árvore existe em CD físico. Os outros discos, alguns estão disponíveis nestas plataformas e outros não. O Inteira pra Mim está, já o Água dos Matos  e A Música em Mim só é possível ouvi-lo em físico. Vou começar e disponibilizar todos esses discos na rede, mas leva um pouquinho de tempo.
 

Lucina, estamos a terminar. Pedimos a todas as pessoas que passam pelo nosso programa meia dúzia de sugestões musicais, feitas nos países com raiz galega.

A primeira sugestão é um cara chamado Breno Ruiz. É um cantor compositor que tem um dos trabalhos mais interessantes que vi nos últimos tempos. Outro é o Túlio Borges, também compositor e cantor. O Túlio tem uma voz muito especial e a maneira como ele mistura a instrumentação é bastante interessante e bem brasileira.  Também posso falar de Oneide Bastos, uma senhora do Macapá, lá em cima do Brasil, bem no norte. Traz umas músicas da região muito bonitas e melodiosas, com um ritmo especialíssimo, o marabaixo. Recomendo muito igualmente a Patrícia Bastos, que ganhou muitos prêmios nos últimos tempos. É filha da Oneide e está ganhando o mundo com uma voz deslumbrante e cantando as coisas da terra.

Vou falar também da Zélia Duncan: todo o mundo a conhece, mas é uma parceira importante para mim. Tenho uma obra grande com ela e não me canso de ver a trajetória artística onde ela vai arriscando e tentando novos lugares, novas maneiras de cantar, novos repertórios. Acho que sempre vai valer a pena a gente partir para escutar a Zélia Duncan.

A sexta pessoa é a Adriana Sanchez, que toca o acordeão e tem uma banda grande. Acabou de gravar um CD em homenagem a Luiz Gonzaga, fazendo uma releitura extremamente atual e bem moderna de toda a obra dele.
 

Lucina, muito obrigado por ter conversado conosco!

Eu que agradeço a você, Marco, à Raquel e a toda a equipe. É maravilhoso que façam esse trabalho relativo à língua portuguesa. Fico muito feliz e honrada de estar aqui participando.
 

Muitos beijinhos, Lucina. Obrigada por falar conosco!

Um abraço muito grande para todo o mundo que está escutando.

P66 – Baiuca: electrónica e tradición en simbiose

 

 
O panorama musical galego está a ferver e, como xa é habitual no noso programa, esta semana quixemos presentarlles un dos novos proxectos que vai deixar marca. Baiuca nace co obxectivo de demostrarnos que a tradición e a música electrónica non só non son incompatíbeis, senón que forman un par perfecto.
 
Alejandro Guillán atendeu a nosa chamada para presentarnos Faiado, a súa primeira mixtape, con temas que xuntan a vangarda coa música de raíz galega. Sintetizadores e caixas de ritmos conviven con pandeiros e pandeiretas, unha mistura realmente especial.
 
O primeiro disco de Baiuca está previsto para este ano e presentarase en abril, no festival Melona Fest. Alén de Alejandro, participa no proxecto Adrián Canoura, responsábel do traballo audiovisual. Este videoartista burelao non só colabora na producir dos videoclips, senón que participa igualmente no disco e ao vivo.
 
Permanezan atentos aos vosos aparellos de radio, porque os nosos locutores van mantervos informados sobre a evolución destes artistas.
 

P66 – Oh! Ayatollah: Volve a canción protesta.

 

Nuno Pico volve á súa casa, Burela, para apresentar á nosa audiencia o novo disco dos Oh! Ayatollah: Volve a canción protesta. Pasaron só dous anos e medio desde que aquel grupo de amigos se xuntou un día para tocar e divertirse, pero Oh! Ayatollah xa se está a converter nun dos grupos pop de referencia do noso país. Este venres presentaron este traballo na Sala Capitol de Compostela, nun concerto que será recordado por reunir varios dos mellores grupos galegos do momento.
 
Se tiveren tanta curiosidade como nós por saber de onde veñen e a onde van os Oh! Ayatolla, convidámolos a ouvir esta entrevista da man de Marco Pereira, Edilson Sanches e, desde o control técnico, Matías Nicieza.
 

Nuno Pico, moi boa tarde!

Boa tarde!
 

Moitas grazas por atendernos nun día tan especial como hoxe.

Grazas a vós.
 

Escoiten o que nos di Daniel Salgado no Sermos Galiza:
 

«Son un dos segredos mellor gardados do pop galego. Ou non tan gardados: desde hai algo máis de dous anos, Oh Ayatollah prodíganse polo país. Mais esta sexta feira, estrean o seu primeiro disco longo, Volve a canción protesta, arroupados pola plana maior da escena na Sala Capitol de Compostela»
 

Parabéns, antes de máis nada!

Moitas grazas!
 

A primeira pregunta é obvia: Sala Capitol, a que hora é o concerto?

Ás 9:30 h.
 

Quen será esa plana maior acompañante?

A verdade é que moita xente; estamos moi contentos. Queremos facer un formato dinámico, de festa,con presentador.  Contamos cuns cantos grupos tocan un par de temiñas, como Ataque Escampe, baixo o nome de Guateque Escampe; Familia Caamagno, como Muebles Mendoza; The Homens, como The Oh! Mens); e Atrás Tigre, como Arre León. Despois diso, imos nós.

 

Que nivel!

Estamos moi felices de que toda esa xente puidese vir tocar connosco porque son xente que escoitamos desde o instituto. O simple feito de pensar que poderíamos estar a tocar con eles xa era unha loucura, mais que sexa real aínda nos custa crelo. Até estarmos alí non imos asimilalo moi ben.

 

Imaxino que si, mais aí está: o soño fíxose realidade.

Tal cal!

 

Nuno, boa tarde! Preséntanos os compoñentes da banda e explícanos de que se ocupa cada un deles.

A batería tócaa Simón, que é un rapaz de Lugo; a guitarra, Anaís; na outra guitarra temos a Xoel, que coñeceredes aí; no baixo está André e eu son Nuno, que canto e toco o teclado.
 

Presentada a banda, cóntalle á nosa audiencia cal é a vosa traxectoria nestes tres últimos anos.

Comezamos en outubro-novembro de 2015, hai xa case dous anos e medio. Un pouco como todos os grupos, a intención inicial era xuntármonos os catro amigos que eramos entón nun local de ensaio que tiñamos preto das Cancelas, para tocar sen máis pretensións. Naquela altura mudabamos bastante a formación: eu tocaba a batería, Simón o baixo… variaba bastante. Foi en 2016 cando comezamos a levalo un pouco máis en serio e a tocar por aí adiante. A cousa ía ben, fixemos a nosa primeira demo e tivo unha resposta da cal estamos moi contentos. Grazas a ela Hevi contou connosco e a partir de aí fomos crecendo pouquiño a pouquiño todos estes anos, tocando moito, ensaiando moito e facendo o que se pode. O día de hoxe é a culminación deses dous anos e medio de traballo, pois presentamos un disco onde están recollidas as mellores cancións que fixemos neste tempo, segundo o noso criterio, cunha produción que nos agrada moito. Agora imos ver cal vai ser o resultado.
 

Imaxinamos que será un moi bo resultado, sinceramente.

Iso esperamos nós tamén.

 

Cal é o contido do Volve a canción protesta?

Depende moito de cada quen, cada persoa que o escoite tirará as súas propias conclusións. Para nós, o contido son 9 cancións que decidimos reunir baixo a denominación de pop, un pop guitarreiro tirando á New Wave ou ao Post Punk, que é o tipo de música que a nós máis nos gusta. Son cancións que reflicten nas letras o que é a nosa vida diaria.

Realmente, falar do contido é como falar dun fillo: só lle ves cousas boas. Eu diría que é un disco pop, mais convidaría toda a xente a que exprese por si mesma o que significa para ela.

 

Agora queremos que nos fales da edición do disco. Onde se gravou?

Gravouse no estudio que ten Hevi en Santiago, que alén de ser o front de grupos que xa teñen un éxito considerábel a nivel galego e estatal, como Malandrómeda e Fluzo, tamén é o produtor de Novedades Carminha. Foron bastantes días de traballo, dúas semanas enteiras a xornada completa no mes de xullo, e estamos moi felices polo resultado e por contar con Hevi, profesionalmente e como amigo. Despois diso houbo que resmasterizalo, que sempre é un proceso máis longo do que se pensa, e hoxe presentamos a edición física en vinilo.
 

Pois moita sorte! Outra cousa que temos que ter en consideración é que o apoio audiovisual foi moi importante para a difusión da vosa obra. Quen vos fixo os videoclips?

Fixéronos todos Xaime e Antón Miranda. É certo que somos un grupo que depende moito do audiovisual, no sentido de que moita xente non nos coñecería sen os videoclips de Xaime e Antón. Pode parecer un trámite dicilo, mais é certo: estamos encantados. O Xaime faláranos en 2016 para gravar un vídeo a partir dunha idea que se lle ocorrera. Probamos a gravar dúas tardes en Santiago e finalmente foi o gañador do premio ao mellor videoclip do Festival de Cans do ano pasado. A partir diso, seguimos traballando con el. Estamos aínda pendentes de filmar un novo vídeo, o segundo adianto deste disco.

Temos moita sorte coa xente coa que traballamos, e iso nótase. Estamos todos en sintonía e estamos a obter resultados moi positivos.
 

Cóntanos, quen son os irmáns Miranda?

Son dous rapaces de Cervo, do concello do lado. Xa teñen unha traxectoria interesante, a pesar da idade. Gañaron xa dúas veces o Festival de Cans; a primeira vez cun vídeo de Mequetrefe, hai 3 ou 4 anos, e o segundo cun noso. Están traballando noutras cousiñas que irán saíndo e que xa vos adianto que vos van gustar, xa que son persoas con moito talento.
 

Cales son as vosas grandes referencias musicais e que hai delas neste traballo?

É unha pregunta complicada. Un sempre tende a responder con nomes de grupos que lle gustan, mais que poden non ter tido tanta influencia no grupo como tal. Se lle preguntas a Simón, a Luís ou a min, vas ter tres ou catro referencias totalmente diferentes unhas das outras. A min influíronme moito grupos británicos como The Jam ou, aquí en Galiza, The Homens. Nisto concordamos todos: os The Homens son unha clarísima referencia, un grupo que foi do mellor que deu esta terra. Todo o que sexa considerado pop nun sentido máis xeral inflúenos, pero tamén experiencias do día a día, como as relacións cos amigos e coa familia ou a situación política actual. A referencias son infinitas.

 

Como son os vosos directos?

Tentamos que sexan divertidos e, ao mesmo tempo, emotivos. Non queremos pecar de pretensiosos e de querer mudar a vida da xente (oxalá), mais tampouco caer no erro de darlle pouca carga emocional. Queremos manter un certo equilibrio porque os grupos que nos gustan en directo transmiten iso. Cal vai ser o resultado, terá que dicilo o público.
 

En que lugares actuastes?

En sitios bastante diversos: desde Ribadeo até Cambados. Pasamos por Lugo, A Coruña, Vigo, Santiago, Pontevedra, Ourense… de momento tivemos sorte porque tocamos en moitos sitios.

 

Despois do concerto desta noite, tendes xa previsto outros?

Así que pase este concerto e un par de días máis para nos relaxarmos e descansar deste estrés, anunciaremos a xira de presentación do disco, que vén bastante cargada: Imos volver á Coruña, a Vigo, a algún festival que temos fechado… seguiremos traballando, que é o que nos gusta.
 

Antes de finalizar a entrevista, facemos o recordatorio: a que hora é o concerto?

O concerto é na Sala Capitol de Santiago ás 9:30 da noite.
 

Con que compañía?

Estaremos os Oh! Ayatollah! acompañados por Ataque Escampe, Familia Caamagno, Atrás Tigre e os The Homens.

 

(Matías Nicieza) Teño un par de preguntas para facerche! Para cando na casa, en Burela?

Os primeiros meses do grupo tocamos en Burela tres veces. Cando comecemos a xira ou nos momentos inmediatamente posteriores teremos que facer un recordatorio por Burela, home claro! Tocar na casa é o mellor que hai.

 

Algo que teño que preguntarche porque si: hai posibilidade de recuperar ese pelaso que tiñas?

[Risos] É unha pregunta que mesmo me fago eu mesmo moitas veces! Estarei no correcto? Foi moito tempo de militancia no mundo da melena e agora paseime para o outro bando. Non era eu consciente diso, mais a verdade é que no mundo do cabelo curto tamén hai vida.

 

Ben, Nuno, a todas as persoas que pasan polo noso programa facémoslles sempre a mesma pregunta antes de acabar: unha ducia de recomendacións de grandes voces do noso mundo, isto é, de músicas galegas e da Lusofonía.

António Variações é un fóra de serie. Foi un cantor portugués que tivo fama nos anos 80 e 90, un cantautor á súa maneira, un fenómeno cunhas cancións brutais. Outros son Malandrómeda, un clarísimo referente, Malvela ou Familia Caamagno. Calquera dos proxectos do Leo, en colaboración ou en solitario, son tamén dignos dunha escoita.; dificilmente coñezo xente que faga unha música tan elegante, feita con sentido e xeito. Finalmente, os Ataque Escampe son outro dos exemplos de que a música pop pode ter textos traballados, sen caer no elitismo cultural.
 

Foi un pracer conversar contigo, moitísima sorte esta noite.

Moitísimas grazas, unha aperta.