P80 – Alcides Lopes: Tchida Afrikanu.

Foto: Mindel Insite
Alcides Lopes, Tchida Afrikanu, sentiu a necesidade de afondar no coñecemento acumulado sobre a música nativa de Cabo Verde. No seu entender, eran necesarias novas lecturas antropológicas da música caboverdiana, mais realizadas por nativos das illas capaces de entender aqueles aspetos que foxen aos observadores estranxeiros. Foi ese idealismo que o levou a se especializar en antropoloxía musical, un traballo académico que produciu o seu primeiro froito co libro Os Tamboreiros da Ilha das Montanhas, publicado pola libraría Pedro Cardoso.
En 2017 gravou o primeiro disco, Reggae no Deserto, mais xa está a traballar en novos proxectos que poderemos ouvir (e ver) moi brevemente.

P79 – Brais Morán: No Mato do desespero

Brais morán
Foto: Facebook do artista
No noso programa 79 estivemos co cantautor Brais Morán, vencedor do Premio Martín Códax 2018 na categoría Músicas do Mundo. O ourensán acaba de presentar No Mato do desespero, un disco cunha sonoridade diferente dos anteriores, que pretende prestar homenaxe ao poeta mozambicano José Craveirinha e ao músico galego Fran Pérez, Narf. A Morán, que xa entrevistáramos no noso programa nº 39, acompáñano neste disco Fran Sanz, Marcos Pazo e Manu Seoane; coa colaboración doutros artistas como as Tanxugueiras, Xiana Lastra, Uxía Pedreira, Patri Gamallo e Habelas Hainas.

 

P78 – Filipe Santo


Foto: Carlos Reis.
 

 

Hai dúas semanas conversamos co cantor santomense Filipe Santo, un músico recoñecido nos países que falan o noso idioma e un verdadeiro embaixador da música do seu país. Este traballo de difusión dos ritmos de raíz de São Tomé e Príncipe permitiulle vencer nos STP Music Awards en 2016, os premios musicais de maior prestixio nesta república africana.

Filipe contábanos que neste sábado, día 12 de maio, estaría a actuar en conxunto co dúo galego VooDoo na cidade de Lisboa, celebrando o día das letras galegas no Centro InterCulturaCidade cun grande abrazo a través das palabras. Desta maneira, a mellor música africana e galega reuniuse sobre o palco.

Perante un público absorto pola voz de Belém Tajes, o baixo de Maritxinha e a voz e guitarra de Filipe Santo, os artistas anunciaron a súa vontade de que desa noite xurdise un novo proxecto en común.

Filipe Santo estivo en Burela hai algúns anos, unha experiencia da cal garda moi gratas lembranzas e que gostaría de repetir. Desde o Grandes Voces animámolo a voltar e a pasar polo noso estudio. Entre tanto non perdan esta nova entrevista de Marco Pereira e Edilson Sanches.

P77 – Arlindo Évora, dos Cordas do Sol

Foto: http://www.cordas-do-sol.com

No noso programa nº 77 acompañáronnos os Cordas do Sol, unha banda da illa de Santo Antão cunha sonoridade diferente a aquela que chega habitualmente a Galiza desde Cabo Verde. Como o noso convidado Arlindo Évora nos explica, a innovación constante, aliada a unhas raízes santantonenses sempre presentes, forman parte do espírito e do modo de ser deste grupo. A equipa do Grandes Voces declárase desde hoxe nova “corda” e espera poder contar con eles no noso país en breve.

 

Arlindo Évora, muito boa tarde! 

Olá, boa tarde! Tudo bem por aí?

 

Tudo! E por aí? Está tudo bem?

Está tudo bem. Um pouco de calor com essa temperatura de Cabo Verde. Já sabe como é.

 

Certo! Estamos em comunicação direta entre a Galiza e Cabo Verde. Que grandíssimo prazer poder falar consigo! 

O prazer é todo nosso. É um prazer estar com essa rádio maravilhosa que trabalha para  a divulgação e promoção dessa cultura lusófona e das línguas relacionadas com o português.

 

Antes de mais, quero apresentar-lhe o seu compatriota Edilson Sanches.

Boa tarde, Arlindo!

Então, Edilson? Boa tarde, tudo dreto?

 

Eu nasci na Ilha de Santiago, na comunidade de Ribeira da Barca e sou vizinho do Tcheka. Conhece-lo?

Conheco o Tcheka, sim, é claro.

 

O nome da banda é Cordas do Sol. Os músicos são da Ilha de Santo Antão, em Cabo Verde. 1994 foi o ano da génese do grupo. Agora, com quase 25 anos de história levam editados cinco discos. Para os conhecer mais em profundidade estamos em conversa com Arlindo Évora. 

Primeira perguta: porque Cordas do Sol?

Cordas do Sol tem um significado objetivo: cordas são as da guitarra e sol é também a designação de uma das cordas. Do ponto de vista mais metafórico, refere-se também à energia inacabável do sol de Cabo Verde durante os 365 dias do ano. Além disso, também costumamos dizer que cada um dos fãs ou seguidores dos Cordas do Sol é uma dessas cordas.

 

Quem formava o grupo em 1994?

Costumamos a dizer que somos a banda com a família mais longa de Cabo Verde. Éramos formados por grupos de amigos, mais ou menos sete ou oito pessoas, mais tarde fomos doze e agora, dado que já somos uma banda profissional, os números diminuíram e já ficaram tecnicamente inalterados.

 

A que se dedicavam?

Normalmente eram amigos que se agrupavam à noite para ouvir música ao vivo de serenatas. No Paul, o local de nascimento de Santo Antão, ainda não havia luz elétrica (estamos a falar de 1995). Realmente já existia luz elétrica, mas só até à meia-noite. A partir de aí, víamos graças ao luar e fazíamos andar as serenatas de casa em casa… é um vale tão lindo! Começamos assim e mais tarde formamos uma banda a fim de fazer todo esse trabalho que, por sorte, viermos a realizar.

 

Eu queria que nos contasse como foi a experiência da gravação do primeiro disco.

Depois a Cordas do Sol se ter afirmado como uma banda local, a partir das nossas pesquisas e das pesquisas dos anos 60 e 70 sobre a tradição oral de Santo Antão, elaboramos um projeto sobre géneros musicais esquecidos nessa ilha da montanha e, após algumas saídas, sentimos a necessidade de gravar um disco para fazer um registo. Foi uma experiência memorável, tendo em conta que era a primeira vez e os elementos não tinham hábito de estar em estúdio. Nessa altura havia poucos home studio e nós tínhamos a sorte de ter um, mas existia aquela ansiedade de estar no estúdio e fazer uma gravação. Por outra parte, não era uma questão bem conhecida e queríamos ter uma afirmação da nossa e fazer uma afirmação da nossa língua e do sotaque genuíno da ilha de Santo Antão, o qual era grande responsabilidade. Foi uma experiência muito boa, um disco genuíno e ingénuo, mas com muita disciplina e carinho.

 

Poderíamos dizer que existem três grades linhas estilísticas no repertório da banda, não é assim?

É verdade e fico satisfeito de saber que vocês descobriram que isso está aí patente. De facto, são três linhas: temos esse disco mais ingénuo e feminino em que optamos pelas guitarras acústicas, pela captação das percussões e as vozes. O segundo disco, Marijuana, já é uma afirmação do primeiro, Linga d’Sinatnton. Depois, assim que já tínhamos conquistado os grandes festivais de Cabo Verde e realizado digressões no estrangeiro, decidimos realizar uma paragem estratégica e voltamos com uma banda reforçada a nível da sonoridade e de composições. Introduzimos uma bateria e uma guitarra base e trouxemos uma voz feminina com uma potência vocal excelente; alguns elementos tiveram que sair, outros entraram e outros se mantiveram. Isto distanciou um pouco o novo trabalho daquilo que eram os primeiros discos. Foi aí quando lançamos o que nós chamamos de “Segunda Temporada” do Cordas do Sol, que vinha ser o Lume d’Lenha.

Assim que conquistamos vários prémios com esse disco, com essa sonoridade ou com esse estilo e ter ganho inclusive nos Cabo Verde Music Awards ao melhor álbum acústico, que era do mais cobiçado nessa altura. Também recebemos os troféus à Melhor Música do Ano e ao Melhor Batuque/Kola Sandjon. Com esta estratégia retiramo-nos um pouco da cena também e agora trouxemos o Na Montanha, que é outra sonoridade, mas mantendo a mesma linha vertical. Este disco mostra um Cordas do Sol fiel ao seu estilo, mas com essa dinâmica de realizar fusões de estilos e trazer novas sonoridades. Cada disco é diferente, de modo a permitir aos ouvintes identificar o disco com só ouvir. O próximo disco vai permitir-nos apresentar um novo estilo, com pequenas diferenças, que é o que diferencia os Cordas do Sol.

 

Nesses quase 25 anos já estiveram ao vivo em todas as ilhas do arquipélago?

Exato.

 

A maior parte das atuações foram nas ilhas de Santo Antão e de Santiago, não é?

Santiago e Santo Antão são duas ilhas maiores, com vários destinos, portanto podem movimentar mais gente. A nível de número, é possível, nunca parei para pensar. Contudo, já estivemos em todos os festivais e inclusive em Santiago em quase todos os concelhos onde se realizam eventos culturais. Isso nos dá uma grande satisfação.

 

E em Ribeira da Barca?

É a zona de nascimento do ex-presidente António Mascarenhas. Estivemos aí dois anos atrás. Estivemos no festival com o Beto Dias, um dos promotores. É um festival com funcionalidade social e adoramos. Foi uma honra.

 

Já fizeram alguma turné pela Europa? 

Estivemos em Madrid; em Lisboa e outras cidades portuguesas com Porto, Évora, Serpa e Vila Real; em Paris, onde fizemos uma série de concertos e onde estamos todos os anos; em Holanda; na Bélgica, mais concretamente em Bruxelas; na Suíça; em Marselha; na Alemanha… Agora estamos de regresso dos Estados Unidos, chegamos no dia 11. O nosso concerto foi no The Strand, uma das melhores salas da Nova Inglaterra. Viajamos muito.

 

Estiveram nos países onde há diáspora caboverdiana?

Sim, esse é o ponto forte. Apesar de participarmos em muitos festivais onde não há comunidades caboverdianas, o nosso forte é esse. O nosso público é de ascendência mista, mas os caboverdianos estão lá com a motivação máxima das nossas migrações.

 

Tendo publicado vários discos, como são agora os concertos?

É um pouco difícil, e ao mesmo tempo fácil, descrever os concertos. As pessoas querem ouvir todas as músicas e às vezes não é possível agradar toda a gente. Algumas pessoas estão à espera de uma música e outros de outra. É um desafio elaborar um repertório do Cordas de Sol hoje em dia. Tentamos utilizar todos os clássicos antigos que marcaram os Cordas do Sol juntamente com as canções novas. Há músicas que normalmente têm que fazer parte do repertório porque sabemos que vão fazer dançar toda a gente, mas é uma alegria ver que as pessoas ficam de pé aplaudindo e curtindo desde o início da entrada do palco até à despedida.

 

Uma síntese dos diferentes estilos.

Dentro de aquilo que nós fazemos, a nossa atuação tem uma coisa que não corresponde tão bem à imagem dos discos: a nossa sonoridade tem muita energia, muita base de percussões e coros. É uma atuação muito dinâmica. Às vezes metemos o reggae, as mornas, o slow, as coladeiras, o kolá san djan… há uma miscelânea de géneros e de músicas que nós tentamos tocar ao longo dum concerto.

 

Arlindo, antes de finalizar a entrevista temos outra pergunta. Queremos que nos faça meia dúzia de sugestões musicais de vozes do nosso mundo: do Brasil, de Portugal, de Cabo Verde… Quais são as suas vozes de referência?

Tenho muitas e não quero ser ingrato em fazer referências especiais, mas eu vou lembrar alguns assim que são bons e que vale a pena conhecer. O Grace Évora está com bom vibe, precisa de ser ouvido. A Assol Garcia também é uma voz excelente, assim como também a Cremilde Medina, uma jovem no despertar da alvorada com uma voz muito tranquila. O Tcheka é outros dos músicos que é preciso ouvir. Temos o Gilberto Gil, como sempre, capaz de cativar todas as pessoas. Outras vozes são o Seu Jorge, a Cesária Évora (rainha da morna), o Bana ou o Ildo Lobo. Eu cresci a ouvir a Amália Rodrigues em casa da minha mãe, com as músicas que apanhava nas rádios de Portugal, portanto é uma lembrança muito boa e sempre será uma referência.  Por outra parte, podem ouvir ainda a Ceuzany, uma voz potente que merece ser referenciada aqui.

 

A Ceuzany fazia parte do grupo Cordas do Sol.

Faz parte. Fez uma pequena saída para iniciar a carreira a solo, mas em junho já está de volta em definitivo, fazendo parte de uma carreira dentro de Cordas do Sol e em paralelo também.

 

Arlindo Évora, muito obrigado. Foi um gratíssimo prazer poder conversar consigo.

Abraço muito forte! Agradecemos muito por nos terem contactado e por mostrar as Cordas do Sol. Quero um dia passar por aí e contribuir tocando porque será uma onda muito positiva. Obrigado!

 

Serás bem-vindo aqui em Galiza, uma terra muito bonita e de boa gente. 

Se Deus quiser lá estaremos.

 

Boa tarde e muita sorte.

P76 – Adriana Sanchez: o rostro da “sanfona” no Brasil

 

Se o Luiz Gonzaga estivese a observar o panorama musical brasileiro, temos a certeza de que iría sorrir cheo de orgullo ao ouvir algunhas das súas cancións máis coñecidas interpretadas polo acordeón de Adriana Sanchez. Hai xa 20 anos que a artista paulista se encheu de coraxe e decidiu que era necesario quebrar prexuízos. Desde entón, o acordeón non é só para homes e a música caipira continúa a renovarse cada día. Máis unha semana, convidamos a nosa audiencia da Galiza a coñecer unha das grandes artistas brasileiras da actualidade. Temos a certeza de que vai pasar a formar parte da vosa colección musical.

 

Adriana Sanchez, muito boa tarde!

Muito boa tarde, que prazer estar com vocês.

 

O prazer é nosso, obrigado!

É muito bom levar a nossa música aí para o outro lado através da língua portuguesa. Essa música que vocês tocaram agora pertence ao meu último trabalho, um tributo ao Luiz Gonzaga, e estou muito feliz com ele. Vêm muitas novidades nesse ano.

 

Pianista, sanfoneira, bailarina, atriz, representante de instrumentos musicais… o que é neste momento Adriana Sanchez.

Adriana Sanchez é isso tudo. Eu gosto de misturar as coisas, de compartilhar a música com artistas de vários lugares do mundo. Neste momento, especificamente, estou viajando por todo o Brasil com esse show tributo ao Luiz Gonzaga, que faz parte de um CD que lancei com vários convidados e de um DVD ao vivo. Estou em tournée com esse show e há ainda uns meses publiquei outro CD em conjunto com os compositores brasileiros Guilherme Rondon e Rafael Altério chamado Todo o interior é igual, com músicas autorais. Neste momento estou um pouco dividida entre esse lançamento, os shows do Salve Lua e, paralelamente, os shows da Barra da Saia.

 

Nascida em Santo André, no estado de São Paulo, Adriana Sanchez começou na música sendo uma criança; inicialmente com o piano clássico e mais tarde como bailarina. Adriana estudou harmonia, arranjo e orquestração, realizou trabalhos com diversos artistas e, em 1998, formou a banda Barra da Saia. Segundo a própria artista nos diz, “tive vontade de me arriscar, surpreender, fazer alguma coisa diferente, com personalidade; algo que não existisse: uma banda feminina tocando de verdade e com competência nesse universo tão masculino”. A nossa convidada é a primeira sanfoneira a receber patrocínio internacional da Hohner, a conceituada empresa alemã de instrumentos musicais, e também foi atriz no filme Anjo Bom da Bahia A vida de Irmã Dulce.

Na altura em que já decorreram 20 anos desde a fundação de Barra da Saia podemos dizer que propiciaram uma revolução na música feminina e feminista no Brasil.

Eu montei Barra da Saia para fazer resgate de música caipira, a música regional mais do interior. Realmente é uma música dominada pelos homens, e mais ainda nos instrumentos; tinha poucas mulheres, como ainda tem, tocando a viola ou a sanfona que é como nós denominamos o acordeão. Quis formar uma banda e fomos pioneiras nesse movimento das mulheres na música caipira. Há já 20 anos que criamos a banda e muitas meninas que vão hoje ao show tocam instrumentos porque viram, se identificaram e se deixaram influenciar. Passamos a mensagem de que é importante uma cantora se acompanhar de um instrumento e aprender a tocar mesmo sem se querer dedicar à música profissional. Aprender a tocar sempre faz bem. Conseguimos, sim, mudar o cenário da música caipira e colocar a mulher em status.  

 

Fale-nos desse relacionamento com a empresa Hohner da Alemanha.

Então, em 2011 a Hohner me mandou um e-mail. Queriam entrar no mercado brasileiro, dado que o Brasil não fabrica e a maioria de acordeões eram importados da Itália. A Hohner queria entrar no Brasil e estavam buscando um artista que pudesse representar a marca como patrocinado. Viram vídeos meus e acharam que eu tinha essa cara da marca e entraram em contacto comigo. Em 2011 assinei um contrato com eles e foi muito legal, porque a minha imagem rodou o mundo todo. Acabei sendo conhecida por outros acordeonistas de lugares aonde a minha música teria demorado mais para chegar e fiquei muito feliz. É uma consagração de um trabalho que venho fazendo desde há muitos anos.

 

Esse relacionamento continua agora?

Continua, continua. Sou patrocinada da Hohner e da Lanikai, que é a marca de ukeleles deles. Até hoje temos essa parceria e sou muito honrada por isso.

 

Eu queria que nos explicasse o que é o chamamé.

O chamamé é um estilo de música do Brasil que tocamos na Barra da Saia, que é música mais caipira. O chamamé, na verdade, é originário da Argentina e entrou no nosso país através das fronteiras. É um estilo de canção, como é o fado ou a bossa nova, um tipo de música tocado em compassos de três e que vem sempre com mensagens sobre a terra, a natureza e a conexão com a própria terra através da paisagem.

 

O que representa o chamamé no seu repertório?

Ele faz parte da minha vida. O meu pai é equatoriano, a minha mãe filha de portugueses. Eu cresci ouvindo sempre a música latina e quando criei a Barra da Saia trouxe muitos chamamés para dentro do repertório. Esse CD que acabei de lançar com o Guilherme Rondon e com o Rafael Altério tem muitos chamamés porque o Guilherme é do pantanal, uma região do Brasil onde essa música é muito forte. Acho que representa um sentir mesmo.

 

Na cabeceira do programa falamos da sua participação do filme A vida de Irmã Dulce. Conte-nos como foi a experiência.

Na verdade, foi a minha primeira experiência como atriz. Recebi um convite do Padre António Maria, um padre que canta muito conhecido aqui no Brasil. Ele estava a fazer um filme sobre a vida da Irmã Dulce, que é uma figura muito importante aqui no nosso país, falecida há alguns anos. No meio do processo estava à busca de uma atriz para esse papel e um dia ligou para dizer que já tinha escolhido atriz: «Nossa… que bom! Parabéns! Quem é?» , «É você». Eu disse que não era atriz, mas a resposta dele foi: «Agora você é». A Irmã Dulce também tocava muito o acordeão e isso me aproximou muito dela. Acho que o ballet também, dado que a bailaria clássica não deixa de ser uma atriz silenciosa: não tem texto, mas tem que contar uma história através das expressões do corpo. A música também tem muito isso. Aceitei o convite sabendo que era um grande desafio, porque é uma personagem muito forte, mas foi emocionante. Mergulhei bastante nela e o Padre António Maria mesmo se emocionou bastante, porque era amigo pessoal dela. Eu fiquei muito feliz de ter tido a coragem a aceitar de ter podido viver um pouquinho essa pessoa tão importante para nós.

 

Sendo tão polifacética, queria saber em que está a trabalhar agora.

Estou na fase de divulgação desse novo CD que a gente lançou do trio, com o Rafael Altério e o Guilherme Rondon. Já saiu e está em todas as plataformas digitais, para quem quiser escutar. Chama-se Todo o interior é igual. Estou me preparando para gravar um novo CD de carreira, um disco de músicas inéditas com uma parte do repertório em espanhol, e estamos preparando também o novo lançamento do novo CD da Barra da Saia, que deve sair em breve. É muito projeto, não é? Gosto muito de estar fazendo músicas diferentes com pessoas diferentes.

 

Em que lugares têm agendadas atuações para esses tempos imediatos?

Não é por falta de convite, mas confesso que tenho muita vontade de fazer uma tournée por Portugal. Afinal, eu tenho um pedaço de Portugal em mim também e quero conhecer as nossas músicas ancestrais. Vamos torcer para que dê certo e seja em breve.

 

Para quando a sua visita à Galiza?

Estou esperando convite, com as malas prontas. Espero que as pessoas que me estão escutando conheçam o meu trabalho e em breve estejamos juntos.

 

Bem Adriana, antes de finalizar a entrevista ainda temos outra pergunta mais. Queremos que nos faça meia dúzia de sugestões musicais de Portugal, do Brasil, de Cabo Verde ou mesmo da Galiza.

Tenho ouvido recentemente algumas pessoas que acabam de publicar discos agora, portanto vou mencionar o que estou a escutar:

Pedro Altério, que tem um trabalho lindo e participa inclusive numa faixa do trio. Breno Ruiz, que é um pianista e compositor incrível, que está a apresentar um CD novo e toca em algumas faixas do Salve Lua. Tem uma cantora portuguesa, a Susana Travassos, que participa no CD do trio e que está no Brasil a lançar um trabalho com uma compositora de aqui, a Ana Terra. Temos a Lucina, uma representante incrível da mulher compositora com canções maravilhosas. Finalmente, gosto muito também do grupo 5 a Seco, que está fazendo um trabalho novo que gosto muito. Acho que são dicas legais para quem quer ouvir música brasileira mais nova, mais fresca.

 

Muito bem, Adriana, por ter conversado connosco. Foi um grandíssimo e um gratíssimo prazer.

Eu que agradeço, deixo aí o meu carinho para todos vocês. Gratidão pelo convite e convido todos para escutarem o meu trabalho. Um brande beijo.